A todos pode queimar,
E a muitos profanos crucificar.
Do fogo foi criada,
E por mortais deveras almejada.
Constrói e corrói mundos,
Mas também ilumina os imundos.
Afasta e trás a dor,
Com amor, paz, frieza ou com terror.
Destruam-na! Foi dito,
Porém perdeu-se seu velho domínio.
Antigos guardavam-na,
Mas pouquíssimos hoje a merecem.
Tempo pode controlar,
e desfazer o feito, o desfeito!
A cegos manipular,
E exércitos mortos ressuscitar.
Oh grande pedra sacra!
Manifeste-se para mim! Já sinto!
Justa é tua chegada,
Para mim e minha doce amada.
Erich William von Tellerstein.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Poesia - Luzes da Decomposição
Sinto o frio das dimensões inferiores,
e a calma das belíssimas superiores.
Encontro-me selado no vão incomensurável,
e oscilando entre a dor e a fé inabalável.
Vejo a mim mesmo no chão que era gelado;
Avisto o amplo sobrenatural contemplado.
Meus olhos captam vibrações muito sutis,
Escapar-me-ia desta morte por um triz.
Amorfas são as formas e também espectrais,
observo o passar de minha vida em murais.
Ao abismo dos momentos eu rapidamente desço,
E ao topo dos pseudo-elevados, vil, esvaneço.
Sórdidas freqüências capto nestes andares,
em direção às luzes subo! são estelares.
Do estelar encontra-se em meu corpo a pureza,
putrefazendo-se encontra-se o mesmo, doce leveza.
Surreais e oníricas são as multiformas do escuro,
As mesmas não me buscam, pois estrelas procuro.
Ausência de existência e exagero da mesma saturam-me,
Nunca tão completo e vazio, inefável, antes compus-me.
Erich William von Tellerstein.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Poesia - Angelical Maldade
Padeceu-me com gélidos olhares,
Aos poucos e muito me matastes,
Donde vens tamanha crueldade?
Sustentada por tanta beldade?
Vossa deveras bela inocência,
Ao misturar-se com deficiência,
De conseguir acalmar-me, pacifica,
Mata! Oblitera, tortura e excrucia!
Por qual razão vos manifestastes?
Qual rainha abissal e espectral,
Ao venerar-se incondicionalmente,
Através de minha dor incessante.
Dá-me um porquê! Assombração,
Que de tão bela mansão retirou-se,
Para apagar-me a concentração,
E mergulhar-me em chama da perdição!
Saia em nome de todos os raios de luz!
Angelical maldade, belíssima vampira,
Que por palidez suspira e respira,
Sugando energias afáveis por prazer.
Em faustosos palácios vos petrificastes,
E retornastes para enraizar o vil,
Em mim! Por falsidades e malícias,
Escondendo-se em angelical carícia.
Retorne à fenda donde saístes morte,
Pois cá não há de ter mais liberdade,
Para empreender vossa tenebrosa maldade,
Em minha já tão real e cruel, realidade.
Erich William von Tellerstein.
Poesia - Banhada em Sangue
Em noturno devaneio banhos preparara,
Sangue de virgens! Sedenta as matara.
Enlouqueceu-se em viagens espectrais,
Que refletiram-se em escuros vitrais.
Branquíssima banheira de porcelana,
Escorreu por seu ralo litros de Vil.
Odor de insana obsessão pecaminosa,
Sentiu a doente em adoecer doentio.
Infernos não comportariam a célebre,
Nem em ardentes períodos de tortura.
Comportá-la-iam noutra doce ocasião:
Hierárquica, em desdém da Proteção.
Amplificou o ar fúnebre de sua morada,
Libertando almas em gélidos aposentos.
Gritos a soavam como lindas melodias,
Enquanto profanava-se todos os dias.
Musgo em pedra, subterrâneas passagens,
Ambientaram o passar da morta maquiagem.
Nuvem negra de vampírica eternidade gerou,
Sobre seu lendário nome, Elizabeth...
Erich William von Tellerstein.
Poesia - A Verdade
Vã e viscosíssima para o Vil,
Uma Vedação imposta à maioria.
Viaja por Variedade aos Verídicos,
Vulgívaga, voante e veemente.
Voluptuosa, vermicida e venturosa:
A tudo vê, viu e dá a Visão.
Veraz Voluptuosidade verifica,
em Verdadeiros do ventral Viver.
Verbera a Veracidade Ventríloquos,
De Vultos vivos da volátil Vivência;
Vermiformes verossímeis da existência,
Voam versados em vermes da Veemência.
Variantes Vaporizações do Vão,
Vive o Vivo em não-viva Vida.
Veemente veicula o do Vencer,
Para ventar a Verdade aos Vivos.
Erich William von Tellerstein.
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