sábado, 7 de julho de 2012

A Rainha do Reino das Sombras


Nasceu nas trevas do nono complexo de catacumbas; 
Nas purpúreas chamas do vasto inferno de atrocidades.
Em sua fúria torturou antigo espírito condenado, 
Assim que cruzou venenoso lago corrosivo a nado.


Tal tortura deu forma a uma criatura até então amorfa, 
Que destacou-se entre diabretes de crueldade órfã.


Rezou enquanto excruciava frenética:


Chama infernal,
Que urge ardente.
Espalhe o mal,
Que apraz a gente.


O abismo clama por nós;
Seu denso e vil negror. 
Desmembra logo após,
Tempestade de horror.


Mate pois da morte vem a vida,
Já que a vida é nada além da morte.


Nasceu nas trevas do nono complexo de catacumbas; 
Nas purpúreas chamas do vasto inferno de atrocidades.
Com sua magia torturou antigo errante espirito, 
Assim que amaldiçoou torto vale dos malditos.


Rezou enquanto deleitava-se frenética:


Chama infernal,
Que urge ardente.
Espalhe o mal,
Que apraz a gente.


As vis trevas conspiram;
Em rancor colossal. 
Para aqueles que riram,
Do torpor abissal.


Mate pois da morte vem a vida,
Já que a vida é nada além da morte.

Erich William von Tellerstein.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Poesia - Espectro Triangular

"A Bruxa, por Agatha Walvike."

Foi em terrível noite fria e luarenta,
Que fez-se visível sua abissal criação:
Cavernosa criatura que vil aparenta,
Ter sido mutilada por férrea mão.


Trata-se da sublime arte do inominável,
De uma bruxa de olhar indecifrável.
Carrasco de cabeça triangular criou,
A fim de decepar quem vislumbrou:


A Grande Noite de Rubra Dor.


Tenebroso evento sanguinolento,
Onde se sente garras no vento,
Ocorre em limoso círculo pedroso,
O qual verte assassino em medroso.


Muitos são escolhidos para sacrifício,
Em nome de horrendo e cósmico ofício:
O das inescrutáveis trevas rastejantes,
Que têm do Sangue o valor de diamantes.


Eis o Guardião dos Condenados!
A maldição sempre triunfante,
Que desmembra os amaldiçoados,
Em fúria de velho horror arfante.


Trata-se da majestosa arte do inominado,
De bruxa que no inferno tem seu reinado.
Funesto monstro de cabeça triangular evocou,
A fim de cessar a voz que no silêncio ecoou.


A fim de cessar a tua voz,
Na Grande Noite de Rubra Dor.


Erich William von Tellerstein.

Imagem original do escaneamento de Agatha Walvike.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Poesia - Guardiã do Umbral


Que sentiria ao fitar profundamente,
Guardiã do Umbral que gela-lhe a mente?
Com olhos negros como o vil abismo,
Que destroem-lhe a alma com romantismo.


Serpentiforme em sua notável beleza,
Portadora de colar de jóia luminífera;
Fareja inexorável os traços da avareza,
Obliterando quando há psique infrutífera.


Sentiria incessantes fortes calafrios?
Deletérios arrepios sórdidos e frios?
Com olhos de mortal perdido no abismo,
Que ignorou toda a vida o misticismo.


Labirintiforme em sua ofuscada pureza,
É mestre no assolar de noite mortífera;
Fareja soporífera os traços da fraqueza,
Envenenando quando há vida calorífera.


Que sentiria ao evocar do infinito abismo,
Guardiã do Umbral que desperta-lhe a mente?
Com olhos penetrantes em morto erotismo,
Que picam-lhe a vida qual letal serpente.


Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Poesia - A Campina e Minha Amada


Ah! Nada como a suave brisa mortuária,
Desta bela campina de flores infernais;
Todas exalando o meu doce odor de dor,
Minha predileta fragrância de torpor.


Oh corvos, como adoro tais maldições!
Impostas por tempestades de outrora,
Que agora eliminam-me as tortas horas,
Em voluptuoso sono de vis excruciações.


Vampira ninfa de assassinos esquecidos,
Por onde estiveras minha querida amada?
Será que por penosos vales descoloridos,
A procura d'uma vítima a ser ferroada?


Dize-me, dize-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Ah! Nada como tão inebriante cheiro,
Que mata-me, encanta-me por inteiro.


Oh corvos, como amo-te por maldições!
Impostas por maledicências de outrora,
Que agora eliminam-me as vagas horas,
Em voluptuoso sono de vis excruciações.


Vampira ninfa de mortífera sensualidade,
Por onde estiveras minha querida amada?
Será que arquitetando em voluptuosidade,
A melhor maneira de dar-me uma ferroada?


Mata-me, mata-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Oh! Estás, estás a sentir o meu cheiro,
Pretendes, queres, matar-me por inteiro?


Ai de mim, minha amada! Não vês o céu?
Ele derrama lágrimas de sangue tão belas!
És-me a mais venenosa e linda das donzelas,
Desejas, de fato, da vida retirar-me o véu?


Não mata-me, não, o sol ainda brilha forte!
Inda que seus raios sejam feitos de morte.
Não serei a sorte da morte com mero corte;
Só porque pensas que és de mal de tal porte.


Oh corvos, como amo-te amaldiçoada como és!
Imposta à tortura abissal da cabeça aos pés.
Não desconta tuas dores em mim meu desamor,
Pois ouve, ouve minha flor, o meu clamor!


Mata-me, mata-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Entonteceste-me a Vontade, a pobre alma,
Devorar-me-á, por ter-me em tua palma?


Perdoa-me, perdoa-me, perdoa-me!
Antes, eu apenas gostaria de dizer que eu te...

Erich William von Tellerstein.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Poesia - A Vida e Sua Foice



Irra a vil dor crepuscular!
Desta maldita visão do mar,
Que mata-me antes da Morte,
Que já eliminou-me a sorte.


Mas que raios inventou a Vida?
Evolução por abissais chagas;
Excrucia com ignorantes pragas;
Mais uma alma a ser acolhida.


Hei de jogar-me de tal altura,
Ao mar desprovido de ditadura;
Que há de receber-me à altura:
Uma alma que vem desta tortura.


A experiência neste buraco,
Conhecido como Planeta Terra;
Mas por mim como Velha Guerra;
Resume-se à mão d'um carrasco.


Irra a dor deste vil horizonte!
Onde o céu cinzento crocita,
Como um antigo corvo a morrer;
Padece a alma dos amaldiçoados.


Mas que raios inventou a Vida?
Evolução por terríveis chagas;
Espalham-se e reúnem-se pragas;
Mais uma alma a ser acolhida.


Ouço a sinfonia dos esquecidos;
Os mortos que tocam dançantes,
Em suas mortuárias lamúrias;
Matando meus pensamentos uivantes.


Choram torturantes e torturados,
Excruciantes e excruciados,
Neste precipício de vis rochedos,
Em onírico teatro de abandonados.


Hei de jogar-me desta ditadura,
Ao infinito oceano de loucura;
Que há de receber-me à altura:
Uma alma que não tem mais cura.

Erich William von Tellerstein.