quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poesia - Sou nada

Escrevo sem saber o que escrevo, 
Mas o faço em minha pura essência,
Que é nada, senão, a de escravo,
Preso à ausência de vivência.


Falta esta que apenas eu vejo,
Visto que o Universo todo almejo;
Dado o vil reflexo enigmático,
Do negro espelho velho e dramático:


Refletindo a mim, outro espelho.


Sou como dueto de Piano e Violino,
Sem intérpretes para Música existir;
Porém, todo musical e sem destino,
Já que sou todos eles num sentir.


Pois para cada segundo de vida,
Há uma equivalência atemporal,
Escrita em partitura suicida,
Do que é eterno e magistral:


Ensinando a mim, outro discípulo.


Pequeno sou diante daquilo que penso e escrevo,
Mas o faço com pesar do gritar de mil corvos,
Que é nada além do sangue naquilo que manuscrevo,
Servindo de tinta para papel e tela com corpos,


Já que sou tudo aquilo que morre,
Renascendo após eras de escuridão.
Sou daquilo que o impossível corre,
Sou nada, morrendo em imensidão:


Sou a opulência dando valor ao pão.

Erich William von Tellerstein.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Poesia - Só

I. Só


Caiu a noite neste funesto deserto, 
Onde brilha branda a lua já padecida.
Surgiu a Morte e disse: Nada é certo,
Mas certamente, morrerás, decerto;
Neste cenário de maldição esquecida,


Pois não sobrou ninguém, ninguém,
Apenas tu, morto, morto em desdém.


Raiou o dia neste desértico funeral,
Onde não há alma viva para lamentar,
Pois matar! Matar, foi o que disseram,
Antes de morrerem e a mim cumprimentar;
Desejando retroceder à vida mineral,


Pois o sol em si era o arquétipo do lamento,
E os fantasmas assombravam sem vida o azarento.


II. Confusão


Estou vivo ou morto? Sou a vida ou a morte?
Neste jogo de inexistência de sorte, 
Sou do porte do amaldiçoado ou o que amaldiçoa?
Faria diferença? A maldição trataria com indiferença?
E se este deserto for a felicidade? Como isto soa?
Um corte! Um corte! Na vida ou na morte?
Caso soe bem...


III. Companhia


Caiu a noite novamente, mas com vil inocência,
Onde brilham as estrelas, lindas e de ardor espectral.
Neste deserto, deserto! Elas são minha companhia! Minha essência!
Onde brilham as estrelas? Onde? Por favor?
Não consigo mais vê-las...
A morte que surgiu era Morte ou era eu?
Só?

Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poesia - Efeito de Ritualística Combinação

Abriu-se imensa fenda no chão,
Ao completarmos a última frase;
Dum feitiço abissal com emoção,
Que pareceu Mal de eterna fase;
A morte havia chegado, ou quase.


Caímos enquanto paredes víamos,
Estranhamente luminosas, quentes;
Elas gritavam, mas mal as ouvíamos,
Nossas sombras eram tristes serpentes;
Éramos nada e todos os ambientes.


O chão de tal abismo era lavoso,
Porém, puro negrume de vil matiz;
Indizível em seu aspecto rochoso,
Exalava odor que hipnotizava o nariz:
Inferno! Sangue em central chafariz!


Hordas de bestiais Coisas indecifráveis,
Dançavam ao som de curioso instrumento;
Alinhadas misturavam-se com cores mutáveis,
Em labaredas de neblina ao tormento;
Espetáculo que inibe até o forte lamento.


Forte luz surgiu no amaldiçoado horizonte,
Esverdeados raios de mortuária natureza;
As criaturas saltaram todas com destreza,
Caverna a dentro, evitando tal bela fonte;
Acordamos! Com memória que não há quem conte.

Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Poem - Slithering Mind

My mind is as quiet as a dead dread lake;
With no sound of frogs nor birds;
But suddenly is as deathly as a snake;
Slithering as english words;
And wishing to fly higher than the birds.


Don't mind if my mind is as mind as the wind;
Flowing free as fire in hell;
But quite more skilful in burning than a fiend;
Flying free as fire in hell;
And wishing to be as a cursing spell.


My soul is as random as a great black hole;
Sucking matter endlessly;
It is, no matter what, as snow in north pole;
Seeing cold as ecstasy;
Feeling the world vile and contemptuously.


Don't mind if my soul is as dark as the chasm;
Igniting silence with lore;
But quite more willful in knowing than a spasm;
Filling silence with no bore;
And wishing to be from All the primal core.

Erich William von Tellerstein.