sábado, 14 de maio de 2011

Poesia - De Olhos Bem Fechados

Orgia de dançantes belas máscaras,
Empreendem os donos deste mundo.
Em sacra cerimônia do imundo,
Num horror com horríveis tristes caras.


Prazer inferior, contemplação,
Mascara-se em soturnas energias.
Olhar superior, concentração,
São da estirpe dos seres nas orgias.


Do abismo tem-se a voz a crescer cósmica,
E do flamejar rouba-se o saber.
Morrem os céus de luz em morte mística.


De olhos bem fechados nós estamos,
Ainda que saibamos que existimos.
Ao nascer nos matamos, desistimos?


Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Soneto - Acusado

Preso estou nesta cela acorrentado e porco,
Que sufoca-me a alma e mente pouco a pouco.
Resistir eu não posso e matar-me tampouco,
Qual cristo numa cruz estou: dor pelo corpo!


Demônio da chama ardente conjurei,
Para salvar-me a vida ante um castelo onírico.
Não precisava disto enquanto eu era um rei,
Jamais tinha de a luz atiçar ao vampírico.


Condenado na praça eu fui por bruxaria,
Queria atiçar mais flâmeo ardor do inferno,
Mas para esta vil lei do bode há parceria.


Amanhã raia o sol apesar de minha morte,
Transcenderei aos céus junto ao amor paterno;
Do abismo desta vez não retirei-me a sorte.

Erich William von Tellerstein.

domingo, 24 de abril de 2011

Soneto - A Onipresente

Oh manifestação! Auroral armadilha!
Trouxestes-me a vós, em plena confiança,
Por infindos portais, rompendo uma aliança,
Para cá contemplar-vos a vil maravilha.


Por todo um colossal venenoso terreno,
Plantastes-me loucura violentamente.
Qual escravo em tormenta na falta dum remo,
Matando-me aos poucos dolorosamente.


Oh monstruosidade! Eterna vós sois!
Vós assombrais o cosmos, incomensurável!
Pairais com forte luz de incontáveis sóis!


Esvai-vos mortuária cósmica energia,
Relocai as galáxias, dor imensurável!
Abismo flutuante! Qual treva em orgia.

Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Soneto - Labareda

Espectral chama conjurou-se vil,
Ante um horrível luminoso corte,
Em incorpórea aparição com morte,
Lá na montanha azul dos mortos mil.


Sob tenebrosa tempestade cósmica,
Encaminhando uma terrível praga,
A mim, infausta viandante chaga,
Cambaleando numa dor ilógica.


É essa, fenda de infernal presença,
Que monstruosa cria com descrença,
Lá, sopra ardente, encobrindo luz.


Com sofrimento ousou queimar-me forte,
Qual salamandra furiosa à sorte.
Deixou-me morto, a jorrar-me o pus.


Erich William von Tellerstein.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Soneto - Soneto à Morte Cósmica

Universo escuro, oh! Mostrai-me,
O que reside lá, pós um andaime,
A suportar gosmenta estrutura,
Que de mim elimina estatura,


Por noturnos lunares sonhos; morte!
Que com horrível cósmico esporte,
Dispersa toda abóboda celeste,
À moda rastejante duma peste.


Abismos infinitos, ressurgi!
Erguei-vos comensais, aqui, urdi!
Contemplai-me o ser, a padecer!


Iluminai-me cá, com luarenta
luz, oh minha incontável criatura,
Que a outros concede morte lenta.

Erich William von Tellerstein.