segunda-feira, 19 de março de 2012

Poesia - Amor

I.


Uma tenebrosa e cósmica força,
Que o arremessa para o abismo.
Não há arte que pouco a distorça,
Possui vis efeitos do vampirismo.
Funciona com sórdido mecanismo,
Não há ser que muito a contorça,
Pois mesmo que alguém a retorça,
Perceberia os males de seu erotismo.
Então notaria o que é o hipnotismo,
E rezaria para que ninguém a torça.


Pois então, o que tens a me dizer sobre o amor?
Existe humano que já compreendeu tal mistério?
Se houve tal criatura, esta deve queimar com ardor,
Após ter sido decomposta em algum cemitério.


Visto que do material não se obtém nada sério,
Nada além de incontáveis inescrutáveis ilusões.
Afirmo que com amor maior constrói-se um império,
Livre de futilidade em todas as suas dimensões.


II.


O brutal ranger de um tornado,
Não se compara ao eterno amor;
Que brota na alma do condenado,
A fim de retirar-lhe a dor.


Eis o bem da maldade,
A crueldade dos bens;
Que ascende ao teu celeste,
E é como férreos trens.


O amor é a harmonia do abismo;
O quente soldar de vis dimensões.
O forte sondar do hipnotismo;
A Morte em suas imensidões.


Adjetivos não dão-lhe qualificação,
Pois com tal cousa não se pode ficar são.
O amor é a dor e ambos não existem pra ninguém,
Pois o Todo a tudo ama e não se contém.


Eis o bem celestial,
A crueldade dos trens;
Que dão carona ao umbral,
Ao som de beijos de bens.


III.


Assim como a morte nos aborda,
Gentilmente, vil ou brutalmente,
O amor emerge com uma corda,
Para enforcarmo-nos de repente.


Não obstante ele nos acorda,
De um profundo doce sono mental,
Cuja função muito nos transborda,
Com fluído de ardor sentimental.


Seja no mais nebuloso abismo,
Ou na luz das mais altas dimensões;
Nos faz acreditar que é destino,
Ou que não passa de vis ilusões.


Tal força retorce e move mundos,
Imperando sob e sobre a psique;
Pode encantar em alguns segundos,
Ou causar o mais horrendo tique.


Isto é amor, termo indecifrável,
Para definir o inestimável,
Ou a mais profunda satisfação;
De um casal, de um monge, de um perdão.


Assim como a morte nos transforma,
Gentilmente, vil ou brutalmente,
O amor emerge com mal que informa,
A chegada da velha serpente.


A mesma que tentou Eva a comer,
Da árvore do conhecimento;
Condenando os homens ao padecer,
E à bíblica ilusão do azarento.


Pois com amor surgiram bastardos,
Traidores, traições e mortes;
Condenações de ímpios inocentes,
Em inquisição de amor de crentes.


Entretanto serve de consolo,
De escada em profundezas abissais.
Nos livra e nos dá o pranto do tolo,
Matando-nos com dores colossais.


Isto é amor, termo imensurável,
Para definir o confortável,
Ou a mais profunda contemplação;
De um mago, de um artista, de uma unção.


Tal força nos retorce e aquece,
Assim como trata e enlouquece;
É o remédio e causa de mil dores,
O aroma de bombas ou de flores.


O amor é a Verdade, O Universo,
Que é infinito e sem definição.
Está nos anjos e nos demônios,
Num carinho ou em uma munição.


Quem ama ama a tudo que tem vida,
Pois tudo que vive é tudo que jaz.
Jaz na existência o mistério do amor,
Pois é vibração que ao cosmos apraz.

Erich William von Tellerstein.

Um comentário:

Mara Fernandes disse...

Erich, parabéns pelo blog! É maravilhoso ler o que vc escreve, parabéns mesmo!!