Explorai!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poesia - A Vida

Não!
...........
Prosseguindo, terá em sua mente:


A condenação é apenas um prelúdio,
Assim como o suicídio, um prelúdio.
A vida é uma bênção num inferno sagrado,
Que se renova com sangue demasiado profanado.


A tormenta flamejante manifesta-se,
Como interpretam-se as sutilezas do cotidiano.
E a comporta enferrujada decompõe-se,
Como demonstram-se as maquinações do mundano.


Orquestrações vulcânicas atingem o topo,
E a luz derruba até o mas triste misantropo.
Calor do fluxo oblitera a perdida existência,
E o pseudo vivo percebe a antiga inexistência.


Cotidiano torna-se a pior das maldições,
E as multidões queimam-se nas erupções.
Olham para si mesmos os mais eruditos,
Pois sabem que vem do interno o mais desesperado dos gritos.


Acorda o morto, renasce a Fênix,
Vive o tudo do nada, e de repente,
Adquire-se a consciência de que o cima,
Nada mais é e nunca foi, que o baixo.

Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poesia - O Gritar do Abominável


Quando os trovões infernais ecoam,
Sente-se apenas o Vil interminável.
E quando todos os corvos voam,
Ouve-se apenas o gritar do abominável.


Como quando se esta próximo ao poço,
Prestes a dar-se um fim tenebroso.
Ou como quando se alcança o esboço,
Da morte inescrutável num buraco cavernoso.


Vil este que seculariza uma atmosférica podridão,
Através de maquiavélicas feições de cão.
Demônios das mais profundas fendas abissais,
São estes de feições flamejantes e colossais.


Manifesta-se o horrendo, atrai-se o desastre,
E todos reparam que COMPÕEM este desastre.
Então, por fim, ouvem os trovões infernais,
E logo mais terminam SENDO infernais.


Como quando se vive neste abismo transitório,
Conhecido como planeta terra ou mal ilusório.
Ou como quando se alcança a majestosa consciência,
De que todos nós atuamos num teatro de demência.

Erich William von Tellerstein.

sábado, 6 de novembro de 2010

Poesia - Viagem ao Submundo

Oh doce viagem ao submundo!
Do imundo conheço este mundo!
O térreo é sempre tão profano,
O que desejam é ser mundano.


Salamandras queimam mortais,
Corvos atormentam os imortais.
O portal da luz esta no abismo,
Escondido, sob medo e egoísmo.


Dragões do oculto mundo do espelho,
Guardam a honorável cruz em conselho.
Grande cálice do vinho sagrado eterno,
Que sua fonte seja minha até no inferno.


Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poesia - A Escuridão de um Momento



Sabe aquele momento? Aquele momento?
Se não sabe, saberá...
Em que as nuances do cotidiano,
Em que os véus da clara realidade,
Começam a incinerar-se com uma luz,
Uma luz... Uma luz que ofusca os olhos,
E que então, de repente, outra realidade,
Surge, das chamas e do desconhecido,
Para te acordar? Para mostrar-lhe?


Aquele momento em que sente todos os momentos,
Em que se sente completamente e não sente nada
Ao mesmo tempo, no mesmo pensar e sentir.
Que sente um calafrio, sente a atmosfera mudar,
Sente a verdade suprema de tudo aquilo que é,
E de tudo aquilo que se aproxima, cada vez mais...
E que se aproxima, com calma, paciência, à espreita,
Para devorar-lhe a mais profunda inconsciência,
E deixar apenas os ossos da incomensurabilidade.


A escuridão de um momento é indizível, inexplicável,
Compõe todos os momentos e compõe você, mortal,
Que compõe os ossos de todos os cemitérios,
A suposta luz de todas as pinturas sacras,
E o amaldiçoado olhar dos demônios esquecidos.


A escuridão de um momento, É AGORA!


Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poesia - O Carrasco


Tecer-se-ão da desdita infinda panos pretos,
Vestí-los-ei logo, em funesta oportunidade.
Dizem-me Não furiosos, mas ignorá-los-ei;
Hão de ameaçar-me, julgá-los-ei, por isso.


Demandar-se-iam muito mais destes detentos,
Dos quais compõem-me os tristes pensamentos,
Se piores fossem os já horríveis comportamentos,
Em diversos outros oníricos e horrendos momentos.


Meu machado, afiá-lo-ei; hei de dar-lhes breve fim,
O público utilizar-se-á de urros para eles e para mim.
Todos seguidos de aplausos; dar-me-ão sagrado esconjuro?
Põem-me num alto muro, pois hei de cair no cruel escuro.


Jorrar-se-ão lágrimas previamente, que posso fazer?
Trata-se de minha profissão; ou o faço, ou irei jazer:
De fome, frio, sem aposento; aposentar-me-ia um dia,
Mas infelizmente, O tão sonhado sempre se tardia.


Tardar-se-ía a chegada dos bons dias menos,
Se soubéssemos lidar com nossa própria existência.
Demonstrar-se-iam mais os anjos; não os culpemos,
Indevidamente e ignorantemente, por sua ausência.


Encontrava-me outrora degenerado espiritualmente,
Pois apreciavam-me tais escárnios, sentimentalmente.
Condolências eu enviaria às famílias destruídas,
Se estas não desejassem minha morte, reunidas.


Formam-se que energias ao redor do corpo e da alma?
Hei de imaginar que boas, se esta deixa o mesmo, calma.
Romper-se-ia o cordão prateado que os conecta quando?
Instantaneamente devido a morte brutal? Sem pranto?


Existem aqueles que apreciam o rolar das cabeças?
São criminosos, penosos, que compõem um quebra-cabeças.
Mas porque quebraram cabeças, hei de separá-las feliz?
Sugeri-me verdade maior, se esta, a vós, não condiz.


Belas missas empreender-nos-íamos, mas estes, odiados são;
Segundo todos: encarnações de demônios; nem mesmo um é são.
Pesa-me o peito, destrói-me a alma: túmulos sem flores;
Sem contestações, incontáveis... Sou criador de dores!


Oh seres das elevadas dimensões! Manifestai-vos!
Ajudai! Como irei dormir? Choros soam como uivos!
A cada pobre executado, mais se corrompe minh'alma!
Devo livrar-me, me livrar! É colossal o trauma.


Distanciai-me de tal repugnante realidade!
Almas cortadas, perdidas, insana maldade!
Imaginam todos a vida de um carrasco?
Conseguí-lo-iam? De veneno encho um frasco.


Tirar-me-ia a infausta vida, pouparia mais mortais,
Mas demoraria pouco, para outro ocupar-me o lugar.
Reconhecer-me-ia, valorizaria muito minha vida,
Mas esta profanarei e não a irei querer comprida.


Acato ordens que sobre mim são severamente impostas;
Para a maldade do povo nunca fecharam-se as portas.
Acostumar-me-ei inevitavelmente com tal rotina,
Pois do contrário, de depressão, o sol queimar-me-á a retina.


Trazer-me-íam já, a luz, os inefáveis anjos;
Mas deverei esperar, pois jamais fugirei.
Manifestarei as trevas, mesmo com arcanjos,
Observando-me; dominarei minhas leis.


Implorar-lhes-ei desde já que força me concedam,
Pois estender-se-á tal lamentável serviço.
Dar-lhes-ei toda a minha fé, com fé me enriqueçam!
Hei de retornar, ao infinito, bem; Ao Deus maciço.


Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Poesia - Rubro Cálice


Meus lábios profanos esquentam-se;
Os pilares da mente esvaecem-se.
Queda aos poucos o antigo templo,
A saída, em tal momento, eu contemplo.


Irregularmente, desvio-me, de pedaços,
Que caem do teto, cavernoso, em estilhaços.
Efeito oscilante e torturante, cai sobre mim:
Merecidamente; espero que tenha fim.


Errante torno-me, por tropeços estou a mover-me;
Aranhas e serpentes interferem em meu locomover.
Profundo entrei em tal gruta atroz e inescrutável,
Buscando o lendário rubro cálice, de valor inestimável.


O que direi ao Grande Rei se o perder?
Nesta missão, juro que não falho, ou irei jazer.
Terríveis pestes a pragas encontram-se nesta caverna,
Vivo devo retornar, qual estava anteontem, na taberna.


À minha família devo trazer: faustosos ornamentos,
Concedidos pelo Rei, por recompensa, sobre juramentos;
De que mais serviços para o reino irei executar,
Para que talvez o próprio cálice, um dia, possa eu conquistar.


Vejo a luz! Doce luz! No fundo, a retirar-se;
Devo correr, velozmente, nela devo jogar-me.
Após intermináveis segundos de tensão, nela adentrei,
Na opulência física, agora, até à morte permanecerei.

Erich William von Tellerstein.

Poesia - Pandemia Espiritual

 Pandemia Espiritual

Vivei e pensai!
Indefinido será o dia, em que vós partireis.
Compreendei, analisai!
Certos do futuro, sê-lo-íeis, se vós fostes, como reis.

Reis de um império imaterial,
Colossal e inefável: o mental.
Contemplai e decidi!

Pensar-nos-íamos se não respirássemos,
O odor, terror, temor, não-térreo, do ser.
Exigir-nos-íamos, evoluções,
Com fervor, ardor, queimor, se pensássemos, no morrer.

A morte dança em nosso estranho planeta,
Conhecido como terra; para o mal, como maçaneta.
Este penetra, corrói, dilacera, eloqüentemente,
Assim como constrói, portais, incessantemente.

Embora esta um fenômeno natural seja,
A que me refiro é espectral, e almeja:
O fim! A dor! O bolor! O PAVOR!
De terras quase esquecidas, em prol do decompor.

Vivei! Ou,
Sejais como todos,
Dançantes, na grande dança da Morte.

Erich William von Tellerstein.

Poesia - O Espírito da Noite

Estou voltando com os posts do Blog com o primeiro de meus "poemas atuais" (Julgo desta forma pois os considero diferentes dos antigos).

O Espírito da Noite


Por todo o mundo, triste, ele vagou;
Sozinho, pouco a pouco, a muitos atormentou.
Penetrara incontáveis mentes, ardente;
Venenoso, terrível, como serpente.


Sua aterradora soturna palidez espectral,
Demonstrou-se teatral, tal e mal, como em sonho abissal.
Deste modo, tolos vivos, velozmente confundiu,
E seu frescor, mortuário, em tortas almas diluiu.


Conceder-lhe-ia, um Deus, o perdão,
Porém, com veemência, sempre disse não.
Ocupado e consumido com insensatez,
Queimaram-lhe os demônios, com invalidez.


Outrora houve para ele alguma luz,
Hoje, nele, verme interno à morte faz jus.
Poderia ele, incomensurabilidade alcançar,
Qual outros, que no nada, continuam a velejar.


Celeste o caminho, deve ser, o que ele percorrer,
Assim como o de todos nós, humanos, às margens do padecer.
Pela impenetrável luz, como você, hei de morrer,
Pois só assim, findaremos, então, no enriquecer.


Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Música - Spell

Cadaveria - Spell



Beautiful witch give light to this black muddy sky
Snatch darkness from these hours
devoid of evening and morning
devoid of stars and funereal lightnings.
There is a path with no light and no moon
I ran through it to rescue my flesh from the poisoned darts.
Modify your mind follow the shapes
from the red seven to the blue one
Mark the sacred space in the name of wind and sound
Say your solemn prayer to the burning fire
Invoke the grace of water sources and raging oceans
Invite earth’s creatures to your dance.
May Rafe lead my soul to victory
He’s the master of my turbid game
May his energy bless my hand when I move the pieces
His power protects my secret plan
May his genius hasten the times. His presence secures my triumph.
Enemies’ minds are frozen in a cloud of impotence
Their projects are sentenced to fail
No acts in the present, no acts in the future.
Now destiny is engraved on eternal memories.
Cosmic energies will spread it in the Universe.
No forces in their bodies No life in their souls.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Poesia - Duas Poesias Para a Morte!


A Beleza da Morte

Após o flamejante crepúsculo, a sombra de sua silhueta suscitara,
Em minhas paredes, pela janela, coisa que muito me atormentara.
Quando a noite caía, o mar mantinha-se agitado com freqüência,
Colocando-me num interminável e terrível estado de demência.
Vislumbrara sua aparição que aos poucos se formava,
E em meu quarto, perante a mim, com seus olhos e palavras me encantara.
Suas vestes fúnebres em sua pele branca faziam dela um ser demasiado taciturno,
Que aproximando-se cada vez mais,
Fazia-me sentir que tratava-se de um momento único e oportuno.
Suas mãos gélidas causaram-me fortes calafrios ao passarem pelo meu rosto,
E quando ela me beijara pude sentir com indizível prazer e desgosto,
A natureza mortuária que a compunha.
Minha mente ilustrara então com todas as nuances e detalhes,
Incontáveis pinturas que compreendem a arte de morrer,
Preenchendo-me com dores mundiais seculares.
E, isto posto, ao retomar a consciência, entrei num profundo estado de compreensão,
Em relação ao tempestuoso momento que se anexara
Em minha memória para sempre e acabara de vir à ascensão.
Com uma voz suave e angelical, eu pude ouvir claramente
ela dizer:


“Hei de retornar um dia para buscar-lhe, e junto com o beijo,
Desta vez, a alma de seu corpo hei de retirar."


Esboçando um leve sorriso e com um desafiador tom de ironia, eu dissera:


"Eu sei! Todos os corpos irão padecer, e desta forma, é muita
Gentileza de sua parte me conceder um beijo."


Seus olhos neste momento fizeram questão de continuar fitando-me
Por intermináveis longos instantes, e após outro beijo,
Ela desaparecera vagarosamente, deixando cinzas
Pelo chão, um anel e um papiro com os seguintes dizeres:


"Vossa mortalidade é maior que minha imortalidade, como
Mortal tendes a oportunidade de plantar e desta forma ter a
Vossa colheita. Já eu, como imortal, posso apenas ceifar, e
Tudo o que posso fazer é avisar-vos que: Ao contrário de
Vós, que como todos os outros humanos costumais plantar
Erroneamente, não existem erros no meu ceifar, e que
Esta é a verdade mais absoluta de vossa vida, e por tanto, devereis
Desfrutar em quanto viveis para poder desfrutar.”

A Morte e sua Foice

Impiedosa e avassaladora,
A todos ela vem buscar.
Com sua foice e rastejantes vestes,
Ela vem para ceifar e plantar.
Plantar a semente do poder aleatório, que é mais conhecido como vida,
E que é pouco notório, mas demasiado ilusório.
Mesmo este sendo um processo doentio e sórdido,
O mesmo pode resultar no fruto mais doce ou mórbido.
Tenebrosa é a maneira com que ela se apresenta,
Devido à recepção inócua e tempestuosa que a ostenta.
Inevitável é a sua aparição!
Infalível é a sua prontidão!
Afortunados e opulentos são os que vivem,
Desatentos e nada agradecidos destroem tudo e se inibem.
Inibição profana perante a manifestação de sua essência!
Cuja magnificência, que deveria ser inteligível,
Dorme em profunda decadência!
Futilidade reina como normalidade,
Fazendo-os esquecer de sua imprescindível pontualidade.
Manto cinza-escuro cobre este rosto abissal,
Uma figura monumental e com absoluta certeza,
Possuidora de uma eficiência mortal!


Que todos apreciem sua estadia neste planeta,
Pois não existirão erros em sua ampulheta.

Erich William von Tellerstein

Matéria - Música de Kazincbarcika (Hungria)

Hungria! Teóricamente terra da grande Elizabeth Bathory e do grande Franz Liszt.

Antes de ir dormir resolvi postar duas bandas que nasceram na cidade de Kazincbarcika.

Acho indispensável a apresentação da banda Öröm, da qual possui apenas 2 membros e é uma espécie de Dark Ambient misturado com Folk. Mostrarei aqui um vídeo de uma música de seu álbum intitulado "8", todas as letras são em Húngaro.

Öröm - Csondben



Lyrics:

Egy tisztáson ülve,...s várva
Lelkemben tél,...s mély csend
Körös körül a nyugalom lágy hangja. Az elmúlás megérintett
A távolból hallom kiszáradt patakok, elfeledett csobogását
Haldokló testem néma sikoltását
És érzek valamit magamban legbelül
Idegen érzés mely a testemben elvegyül
S közben árnyak násztáncát látom, és a hó csak hull... és hideg
Egy test a tisztáson ülve... s várva. Vár az elbomlásra
Lelkemben tél... s mély csend, És semmi... körös körül

A outra banda é a Mytra, da qual eu acho também bastante interessante.

Mytra - Ecotone


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Conto - Chá do Abismo


Chá do Abismo

Um conto de Ericson Willians.
  1. Havia terminado de tomar o meu chá matinal, feito com ervas
  2. que minha linda mulher recolhe todas as manhãs lá na floresta,
  3. bem próximo ás pedras que são muito conhecidas
  4. por suas lendas e superstições aqui no vilarejo, devido à
  5. sua aparência exótica e desconfortante. Nelas haviam uma espécie
  6. de símbolo, que preenchia a parte central da superfície
  7. das pedras, muitos diziam que este foi feito por uma
  8. bruxa terrível que vivia na floresta, uma bruxa que fora completamente
  9. controlada pelos seres obscuros que vagam naquelas
  10. terras.
  11. Após tomar o chá me senti um pouco estranho, um tanto
  12. atordoado talvez, e muito cansaço nas pernas. Senti também
  13. uma tontura, me senti distante, levantei-me daquela
  14. cadeira velha, apoiando meu corpo cuidadosamente com as
  15. mãos na mesa para me levantar, e então, segui em direção
  16. à minha porta, com intenção de abri-la.
  17. Lá fora minha esposa estava andando em círculos em volta
  18. da fonte central do vilarejo, jogando rosas e cantando uma
  19. música tradicional da nossa região, com um sorriso angelical
  20. e um brilho nos olhos. Corri imediatamente até ela, e
  21. ajoelhei-me, segurando suas mãos fortemente. Meu olhar
  22. fixo e que demonstravam muita seriedade, em seus olhos, a
  23. preocuparam profundamente, ela começara a perguntar incessantemente
  24. se havia acontecido alguma coisa, se eu estava
  25. bem, e eu de alguma forma não conseguia responderlhe
  26. as perguntas, pois me sentia fraco demais, como se a
  27. morte estivesse próxima e cada vez mais inconsciente.
  28. E então finalmente perco minha consciência. Meu corpo
  29. caiu sobre o chão composto de pedras e de repente, encontrei-
  30. me no meio da floresta, e lembro-me perfeitamente de
  31. ser uma floresta muito onírica, com cores desprovidas de
  32. vida, um fortíssimo cheiro de limo com musgo, me veio à
  33. cabeça naquele momento a imagem de um pântano. Corri
  34. novamente, mas desta vez para qualquer lado, de maneira
  35. completamente aleatória, com uma vaga esperança de conseguir
  36. voltar ao vilarejo, e infelizmente me deparei com algo
  37. que me intrigara fortemente.
  38. Um tronco de árvore, bem escuro, úmido, com superfície
  39. plana, e que carregava em seu topo uma espécie de pedestal
  40. pequeno, feito de ossos, que guardava um manuscrito.
  41. Manuscrito de papel aparentemente muito antigo, escrito
  42. com uma tinta tão forte que eu podia sentir seu estranho
  43. odor, e isso era muito estranho pois o manuscrito realmente
  44. aparentava possuir muitos anos de existência.
  45. A página não continha nenhum título, continha apenas palavras
  46. escritas de maneira que eu nunca havia visto, o texto
  47. continha um padrão de beleza que me fizera sentir um intenso
  48. e curioso prazer, e certamente, quando pensei em
  49. todo este conjunto de eventos, entrei num estado completamente
  50. absorto e também de uma duvida indizível, de uma
  51. completa solidão, que me atormentava terrivelmente.
  52. O ambiente era favorecia muito o meu desespero, haviam
  53. sons aleatórios provenientes de variados animais que pertenciam
  54. à floresta, ventos que pareciam ser soprados em
  55. meu corpo e isso me arrepiava muitas vezes, o estado
  56. mental era complexo demais naquele momento, é impossível
  57. para você imaginar perfeitamente.
  58. No antigo texto continha o seguinte:
  59. "Vossa presença neste local é digna de comemoração,
  60. À muito tempo um mortal não sente os proibidos prazeres
  61. de meu chá. Uma vez inspirei uma fraca e iludida senhora à
  62. fazê-lo, mas muitas vezes tive de possuir seu corpo para
  63. guiá-lo pela floresta, para colher assim a planta correta, já
  64. que sua visão não era boa.
  65. Eram tempos de grandes desventuras, era mais fácil satisfazer
  66. Os Grandes, Os Grandes eram portadores de todo o
  67. ódio e sentimentos mais terríveis que a humanidade insiste
  68. em perpetuar.
  69. Saiba que sua morte será de muito bom grado para a minha
  70. legião, aguarde pobre tolo"
  71. Acordei muito assustado, nos braços de minha mulher, sobre
  72. minha cama e ouvindo sua doce voz me dizer que estava
  73. tudo bem, que eu não tinha com o que me preocupar,
  74. que apenas me senti um pouco tonto por alguns instantes e
  75. que não havia acontecido nada. Havia me tranqüilizado naquele
  76. momento, afinal, não havia como não haver tranqüilidade
  77. com tamanha divindade cuidando de mim.
  78. Infelizmente, minha tranqüilidade fora interrompida quando
  79. eu avistara uma caneca de chá quente sobre a pequena
  80. mesa ao lado de minha cama. Perguntei neste momento
  81. para ela aonde ela conseguira as ervas para o preparo daquele
  82. chá, e ela me disse que as encontrou no mesmo lugar
  83. que encontrou aquelas que havia me dito, próximo às
  84. pedras na Floresta, e que eram uma delícia.
  85. Neste momento eu fiquei absurdamente apavorado e preocupado,
  86. pois agora sabia que ela havia tomado do chá, e
  87. temi fortemente que ela viesse a ter sonhos estranhos também.
  88. Já não bastava o meu tormento, ter que vê-la apavorada
  89. também seria insuportável, jamais!
  90. Alguém batera na porta, pois naquele momento ouvi um barulho
  91. muito alto, composto por uma batida que se seguia
  92. por mais duas. Minha esposa levantara da cama e me pedira
  93. para esperar, me chamando de amor, com aquele olhar
  94. encantador, me dando um beijo na testa, e se retirando do
  95. quarto para abrir a porta e atender a pessoa que lá se encontrava.
  96. Meus olhos se arregalam ao ouvir minha esposa me perguntando
  97. se eu conhecia a senhora que estava ali presente,
  98. pois obviamente, eu ficara sem resposta, tudo o que
  99. pude fazer naquele momento, foi ir até lá, olhar para ela, e
  100. assim livrar uma certa curiosidade que estava em mim.
  101. Revestida de trajes escuros e portadora de uma caixa de
  102. madeira, ela estendeu os seus braços e entregou-me a caixa,
  103. dizendo que ali continha um precioso presente, do qual
  104. minha esposa eu poderíamos compartilhar. Eu disse obrigado,
  105. cordialmente, e ela vagarosamente foi embora.
  106. Minha esposa me levou de volta para a cama puxando-me
  107. pela minha mão, e logo após me beijar, pediu-me para que
  108. eu abrisse a misteriosa caixa. Nós dois ficamos completamente
  109. indignados com o objeto que ali dentro estava, pois
  110. era uma pequena estatueta que se encontrava em cima de
  111. um livro, ambos eram muito bem trabalhados. A estatueta
  112. era de aparência indizível e perturbadora, mas de alguma
  113. forma, interessante e intrigante.
  114. O livro tinha um símbolo estranho na capa, e era uma capa
  115. dura. As folhas eram iguais a do manuscrito do meu sonho,
  116. da mesma textura, mesmo papel, mesmo cheiro esquisito
  117. da tinta, aquilo tudo estava sendo fantástico demais para
  118. mim. Após este momento olhei para o lado, e vi minha esposa
  119. com um olhar fixo sobre o livro, e com olhos assustadores,
  120. uma expressão aterradora.
  121. Perguntei a ela o que havia acontecido, perguntei com a
  122. mesma seriedade que minha esposa havia me perguntado
  123. quando me viu ajoelhado diante dela naquele outro dia, e
  124. ela me disse com uma voz trêmula, que o símbolo do livro,
  125. era o mesmo daquelas pedras próximas das plantas que
  126. ela havia colhido.
  127. Percebi então neste momento que meu sonho poderia ter
  128. sido real, ou ter sido alguma espécie de aviso ou comunicado
  129. importante. Meu temor possuía níveis altíssimos, assim
  130. como o dela, devido a ausência de compreensão de ambas
  131. as partes e a atormentadora atmosfera indescritível de tudo
  132. isso poderia ter sido causado por bruxaria.
  133. Minha esposa abaixou a cabeça, e permaneceu assim por
  134. algum tempo. Eu a segurei em seus ombros e a sacudi levemente
  135. para fazê-la levantar a cabeça e porque estava
  136. muitíssimo preocupado com ela e ela de repente, levantou
  137. sua cabeça, olhou para mim, e começou a me beijar freneticamente,
  138. a agarrar-me violentamente.
  139. Deitara o meu corpo na cama e rasgara minhas vestes, me
  140. beijando incessantemente, lambendo cada parte de meu
  141. corpo como se nunca tivesse feito isso antes, parecendo
  142. estar possuída com um desejo incontrolável de fazer sexo
  143. comigo.
  144. Após longas horas de insana tentação e prazer, caí no
  145. sono, e iniciou-se outro sonho, onde aquela senhora se fazia
  146. presente novamente, e com vestes ainda mais escuras,
  147. mas desta vez com um cajado, e diante de uma dança descontrolada
  148. de pessoas desconhecidas em volta de uma fogueira.
  149. No sonho eu estava junto a roda, dançando, e cantando
  150. numa língua que nunca havia falado e visto na minha vida,
  151. aparentemente eu estava hipnotizado.
  152. Acordei repentinamente no centro do vilarejo, próximo à
  153. fonte, deitado no chão, com todos os moradores me acusando
  154. de ter trazido a bruxa para o vilarejo, de ter trazido os
  155. males da floresta para o vilarejo, de ter trazido a condenação
  156. para todos, dentre muitas outras coisas desagradáveis.
  157. Sem saber como fui parar ali, levantei-me, e ignorando as
  158. acusações, entrei-me em minha casa, e fiquei abismado ao
  159. notar que minha esposa não estava em casa, e considerando
  160. os eventos anteriores, me enchi com uma intensa preocupação
  161. e saí rapidamente em rumo à floresta.
  162. O céu começou a encher-se de nuvens carregadas, a atmosfera
  163. em combinação com a floresta a gerara um clima
  164. demasiado macabro, do qual me inspirara a rezar com toda
  165. a minha fé, de maneira que nunca antes eu rezara, até ser
  166. interrompido por um cervo que parou em minha frente após
  167. saltar de um arbusto.
  168. O animal possuía olhos terrivelmente vermelhos e parecia
  169. realmente muito interessado em mim, de alguma forma,
  170. pois não os desviava para nenhum outro ponto, olhava apenas
  171. para meus olhos, e nada mais.
  172. Esta hipnose insana permaneceu até o cervo começar a
  173. correr para dentro da floresta, e eu, sem escolha, decidi fazer
  174. o mesmo, seguindo-o sem rumo, sem idéia de para
  175. onde ele estava me levando.
  176. Percebi que na mata haviam aspectos parecidíssimos com
  177. os dos sonhos, e vi o tronco do primeiro sonho passar ao
  178. meu lado esquerdo, também vi a mata que havia no segundo
  179. sonho, no horizonte de onde dançávamos.
  180. Avistei grandes galhos queimados e cinzas por todo o chão,
  181. lembrei-me da fogueira do sonho, e após ficar ali contemplando
  182. este cenário nostálgico, senti uma dor na cabeça, e
  183. tudo escureceu-se novamente.
  184. Vi sangue, sexo, soturnas formas, cenários mórbidos e oníricos,
  185. seres que me assustavam e me cercavam, senti o
  186. mais elevado medo que é possível um ser humano sentir. E
  187. de repente...
  188. Me vi deitado sobre a mesa, com o rosto enrugado e com
  189. um sentimento de preguiça, vi a luz do sol pela janela, iluminando
  190. a mesa, e escutei o trivial som dos pássaros cercando
  191. a minha casa como sempre, e a caneca de chá vazia em
  192. minha frente.
  193. Levantei-me da cadeira sem acreditar no sonho terrível que
  194. eu acabara de ter, e fui abraçar minha mulher, que se encontrara
  195. ao lado da fonte, para esquecer deste outro sonho
  196. terrível.

Conto - Anaeteth

Anaeteth
Um conto de Ericson Willians.

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  1. Minha vida acabara quando atendi aquele maldito telefone,
  2. eu desci as escadas com o cabelo desarrumado às 3 da
  3. manhã sem nem ao menos entender o que estava acontecendo
  4. naquele momento, ele não havia me informado de
  5. absolutamente nada.
  6. Acabei por me mudar para um lugar que me jogara no abismo,
  7. localizado literalmente no meio do nada, já que ao redor
  8. do vilarejo só existem quilômetros de floresta ressecada
  9. e desprovida de vida.
  10. Meu vizinho, que me ligara a poucos instantes, era pai do
  11. jovem Patrick, que constantemente desaparecia, sem deixar
  12. pistas. Naquela mesma noite o pai de Patrick Steinhoff
  13. me pedira que o acompanhasses pela floresta para ajudarlhe
  14. na busca de seu filho, já que o mesmo tivera um pesadelo
  15. terrível envolvendo o seu filho e um grupo que o preocupava
  16. muito.
  17. Todos os moradores do local mantinham suas janelas fechadas
  18. durante a noite, assim como todas as portas trancadas,
  19. menos eu. Voltavam sempre para suas casas após as
  20. 10 horas da noite, e levavam os animais para dentro de
  21. seus respectivos estabelecimentos, afirmando temerosos
  22. acontecer coisas inexplicavelmente perturbadoras.
  23. Eles disseram que colocavam os animais para dentro porque
  24. se não o fizessem um ou dois deles morreriam de maneira
  25. terrível, e porque sempre que isso ocorre nunca é encontrado
  26. nenhum sangue dentro do anima, e que todas as
  27. vezes sempre ocorre entre as 10 horas da noite e 3 da madrugada.
  28. Para todos no vilarejo a floresta possui vida própria, e aqueles
  29. que lá permaneceram por alguns instantes durante este
  30. período voltaram em profundos estados de loucura, chorando
  31. em momentos indefinidos e com olhares vazios, de maneira
  32. que assustaria até o mais terrível dos homens.
  33. Mas naquele momento eu não sabia de nada, e voltando
  34. àquela maldita noite: Eu me senti muito mal assim que saí
  35. de casa, com aquela brisa gélida que carregava um cheiro
  36. indescritível de terra úmida, e com aquele céu cor verde-escuro
  37. absolutamente assustador a um ponto de me fazer
  38. acreditar na possibilidade do mesmo ter sugado as cores
  39. daquela floresta morta infernal.
  40. Na medida em que entrávamos na floresta o cheiro aumentava
  41. e de alguma forma a distância de nós dois e o vilarejo
  42. também, de maneira que dava a impressão de que quando
  43. olhávamos para trás estivéssemos cada vez mais afastados,
  44. e que estivesse cada vez mais escuro, e isso mesmo
  45. levando em consideração de que tínhamos plena consciência
  46. de que não tínhamos andado muito.
  47. Era quase impossível ouvir os próprios passos e não existia
  48. nenhum som no ambiente, era como se até os grilos estivessem
  49. mortos e os ventos não balançassem os galhos retorcidos.
  50. Eu me sentia cada vez mais estranho naquele lugar
  51. completamente enlouquecedor.
  52. Anaeteth! Exclamou o senhor Steinhoff, e naquele momento
  53. eu não havia entendido o que ele dissera, eu nunca ouvira
  54. este nome e nem nada parecido em absolutamente nenhum
  55. lugar, eu achei particularmente muito estranho ele dizer
  56. este nome tão repentinamente, mas eu ignorei um pouco e,
  57. prestando atenção aonde eu pisava, comerei a caminhar
  58. novamente enquanto ele começava a contar.
  59. Segundo ele Anaeteth é uma ordem ocultista que nasceu
  60. em Londres no século XVII, após o grande incêndio de
  61. 1666 que devastou a cidade. Um jovem excêntrico que assistira
  62. sua família morrer com a última epidemia da peste
  63. negra ficara obcecado pelo ocultismo quando encontrara
  64. um livro de origem obscura intitulado: Colubra Terribilis.
  65. Dizem as lendas que este livro é capaz de abrir as portas
  66. dos planos inferiores e assim possibilitar a passagem de
  67. demônios para o nosso plano físico e assim realizar uma
  68. troca de favores. Eles pedem a liberdade de poder sacrificar
  69. a vida de qualquer humano deste planeta, crime pelo qual é
  70. cometido por eles mesmos, sob o comando daquele que o
  71. opera, e sendo assim, eles realizam tudo o que o ocultista
  72. deseja.
  73. Pai de Patrick contava tal história com muito receio, era
  74. muito notável, de maneira que era como se ele estivesse
  75. sendo cauteloso. Após o término da conversa eu olhei para
  76. os céus e percebi que não havia mais nada, absolutamente
  77. nada, as estrelas haviam sumido! Estava tudo escuro neste
  78. momento como se houvesse uma camada de sombra muito
  79. espessa sobre a floresta.
  80. O meu relógio despertara, e quando eu parei para olhá-lo
  81. senti algo indescritivelmente terrível dentro de mim, eu não
  82. conseguia acreditar no que eu havia visto, eram 10 horas!
  83. Comecei a olhar para o senhor de maneira que o assustara,
  84. e rapidamente eu o informei do que eu acabara de ver.
  85. Sua respiração aumentara gradativamente e ele entrara
  86. num profundo desespero, seus olhos viraram lentamente
  87. para cima e logo ele perdeu sua consciência. Infelizmente,
  88. neste momento, começara a chover. Perdido e sem saber o
  89. que fazer, eu o carreguei em meus braços e caminhei aleatoriamente
  90. pela floresta com esperanças de encontrar alguma
  91. saída, me esforçando para ignorar o coro de vozes que
  92. se confundia com o vento e que batia fortemente em meu
  93. rosto, me enlouquecendo cada vez mais.
  94. Seguindo uma luz esverdeada no horizonte consegui encontrar
  95. um lugar desprovido de árvores, e lá avistei uma caverna
  96. iluminada por tochas e com uma escadaria. Levando
  97. em consideração o lugar aonde eu me encontrava e o meu
  98. estado só me restava descer as escadas com o intuito de
  99. explorar e ver se encontrava alguma ajuda ou alguma saída,
  100. algo que pudesse me livrar daquela situação infernal.
  101. Desci muito concentrado para não cair, pois o corpo estava
  102. muito pesado e aquele ambiente não era nada agradável,
  103. esta combinação certamente bagunçava com o meu equilíbrio.
  104. Aquela maldita escadaria aparentava não ter fim! Era
  105. uma estrutura de arco-romano sobre os degraus que desciam,
  106. e os mesmos paravam num chão plano, cuja continuação
  107. eram escadas iguais, e assim sucessivamente.
  108. Haviam inscrições por toda parte! Nas paredes, no chão, no
  109. teto, em tudo! Haviam também tochas nas paredes de pedra
  110. e estátuas em cada novo chão plano que chegava. Sem
  111. duvida o mais estranho disso era que as estátuas não ficavam
  112. nas laterais e sim no meio do chão, como se estivessem
  113. sendo apresentadas àqueles que entravam.
  114. Quanto mais eu descia, mais as estátuas tinham uma aparência
  115. terrível! As inscrições em cada nível da escada pareciam
  116. estar relacionadas a cada estátua, e todas eram numa
  117. língua indizível e que eu nunca havia visto em toda minha
  118. vida.
  119. Finalmente! Cheguei no último degrau! Estava quase desmaiando,
  120. minha mente aparentava estar sendo drenada, eu
  121. precisava de muita concentração para não ter que apreciar
  122. um cenário infernal dando voltas. De alguma forma eu não
  123. conseguia lembrar das coisas boas da minha vida, eu não
  124. tinha mais nenhuma esperança!
  125. O arco sobre a porta de carvalho era mais verde-escuro em
  126. relação às outras pedras como se estivesse apodrecendo a
  127. partir daquele exato ponto, e de maneira estranha o vão por
  128. de baixo da porta emitia uma espécie de luz negra, o que
  129. obviamente não fazia sentido algum.
  130. Mas sem pensar duas vezes, abri a porta rapidamente, para
  131. não ter que ficar olhando o que havia por trás daquele cenário
  132. pouco a pouco, para quebrar o clima de tensão. E foi
  133. exatamente neste momento! Finalmente, neste momento!
  134. Que eu desmaiei. Eu me vi exatamente no meio da floresta
  135. com um monte de pessoas estranhas e revestidas com um
  136. longo manto preto, eu não fazia mais idéia nenhuma do que
  137. estava acontecendo, só queria tudo aquilo acabasse, era
  138. tão terrível!
  139. De repente eu ouvi um barulho de intensidade muito grande,
  140. era um barulho diferente de tudo o que eu já tinha ouvido,
  141. e inesperadamente ficara tudo completamente preto.
  142. Somente após um tempo ali desmaiado, abri os olhos e me
  143. encontrei no meio de uma pedra, amarrado até os pés, assim
  144. como o Pai de Patrick no meu lado esquerdo.
  145. Havia um círculo de estátuas enormes, e eram as mesmas
  146. que eu avistara enquanto descia aquelas escadas, mas a
  147. diferença era a de que tamanho desta vez era monumental.
  148. O círculo era perfeito, e todos que estavam ali presentes
  149. dançavam de maneira diabólica, como se estivessem todos
  150. possuídos, parecia muito com uma espécie de culto ou cerimônia,
  151. mas não fazia idéia do propósito.
  152. Uma dessas pessoas não estava dançando, e esta se aproximou
  153. de mim, tirou-me o capuz. Era uma mulher com uma
  154. expressão aterradora em seu rosto, ela colocara num bloco
  155. de pedra entre eu e o pai de Patrick o livro, o Colubra Terribilis.
  156. Começara então a professar umas palavras estranhas sem
  157. desviar os olhos arregalados do livro, e com os braços
  158. abertos e levantados, mas um pouco curvados, e ela possuía
  159. uma espécie de véu negro que revestia a parte dos braços
  160. no manto negro.
  161. Uma espécie de respiração começara a aumentar, e pouco
  162. a pouco a pedra onde eu estava começara a tremer. Os
  163. olhos das estátuas ao redor ascenderam, e os olhares!
  164. Aqueles olhares! Não os esquecerei por infinitas vidas.
  165. Conforme os sons, urros infernais, respirações ofegantes,
  166. gritos e os tremores aumentavam gradativamente, tanto
  167. quanto, aumentava a minha loucura.
  168. E finalmente aquela terra negra no espaço entre mim e o
  169. senhor levantara com um estrondo enorme, e em menos de
  170. dois segundos havia uma serpente negra de três cabeças me encarando.
  171. Em seguida, ao som de raios, acordei em meu quarto com
  172. o despertador tocando, marcando a minha volta para a
  173. vida, eram 3 horas.
Desenho por: MSDesigns

Matéria - O Excêntrico Mr. Doctor

Se me perguntassem: "Eric, saberia me recomendar algum compositor completamente insano?", eu certamente responderia: "Sim! Mr. Doctor!".

A muito tempo atrás um amigo secular meu (Henrique) me aconselhara a ouvir as músicas de tal compositor, as músicas do Devil Doll, e eu ficara absolutamente abismado com a inigualável genialidade das músicas.

As obras do Devil Doll (Mr. Doctor) são normalmente ENORMES, onde o álbum todo é apenas uma faixa que pode ultrapassar 1 hora, com uma única história. (Sabe-se pouco sobre o Mr. Doctor, ele mora em algum lugar entre a Italia e Eslovênia, e não se "ouve" falar dele a muito tempo, visto que ele não da entrevista e enfim, é estranho.)
!
Mostrarei aqui um pouco da FABULOSA arte de Mr. Doctor! Contemplai!

Sacrilegium



Sacrilegium .I



Sacrilegium .II



Sacrilegium .III



Sacrilegium .IV



Sacrilegium .V



Sacrilegium .VI



Vale ressaltar que existe uma versão muito maior desta música (Da qual eu prefiro), chamada The Sacrilege of Fatal Arms, o que acontece é que ela não existe no Youtube. (Algum ser muito bondoso já nos fez o favor de colocar esta obra tão PERFEITA, GENIAL, FABULOSA completa no youtube, então já está perfeito assim.)

Lyrics:

Profanatio omnium quae deo
Vel sanctis propositis consecrantur
For long endless millions of instants
I drank at the goblet of illusion
Tilling tumours and follies
Desperately wandering
Through the dark tunnels
Of the bone box
Then, submitting
I chose to drown
In the ashes of my dreams
When purity is raped
Three days are not enough
To resurrect:
Everywhere
Leprosy spreads out
The light of the eyes
Is extinguished
Thunders now shatter
The eardrums
The scream is:
"The plague be on you!"
The dust
I used to build
The impalpable reality
Of my nights
Brings me back
Along the paths
Where I scattered
Useless hopes
Believe!
Can I trust you?
No, please, don't!
Can I trust you?
Forever, really, forever!
Oaths engraved in the water...
Obey!
As a child, or an idiot
Who follows the laws
Of the XXXX others?
Quicksands have just one
Unrelenting goal
Bon voyage, mon amour...
Fight!
That invisible enemy
Nestled behind those
Gorgeous, false, sharp
Smiles
In order to conques the future: and destroy it!
I go back - once more - into the abyss of my nothing
You know
The dead have the virtue of looking like each other
It seems like yesterday
We were children
And playing at running
After each other;
You would often lock me
In the dark cellar
And I implored:
"Please open!"
I used to run trampling on
The little heads
- Cut off -
Spread ripe on the lawn
We had no mother
So we're taking turns
In being her
You were visiting my dreams
Leaving to snow
Through almost
Closed fingers
Glittering crystals
Of verginal illusions
Time seemed out brother
Until the deadly night
Twisted, I preserved you
- Jealously - Beside me
Gelid, adorned with
The damned cloths
Of the sudden
Silence...
... while
Dreamful...
... I offered you
A smile...
... in a suspended flash
The spirit...
... was plucked away
By the...
... sacrilege of fatal arms!
Forever!
Remember?
Forever!
I kept the secret
"Where is the bride?"
"Forsaken him!"
"Fleeing the deceived"
"Left him alone!"
Talk, talk
You fools!
Forever I wanted
Still, lifeless and empty
The shadow of you
To lie on
The bridal couch
Where you laughed
Astonished
Minding the tales
Bizarre and contorted
I told you every night
Prior to submitting
To the empire of the dark
Mors at suar cohortis ludus:
"Anathema, anathema tibi!"
Arcani vis et natura:
"Anathema, anathema tibi!"
They who know, do not speak!
They who talk, do not know!
"Maledictus! Maledictus!"
We are just sketches of men
Caught in a wicked vortex
Where tertium non datur
Between being god
Or being damned
But, after all
Isn't it true that
An inaudible suggestion
An ineffable remorse
A secret instinct
Reveal the impurity
Hidden in success
The vulgarity of victory
The filth nestling
In fortune:
Pure purity
Absolute catharsis
Is in misadventure
In tragedy
In one's ineluctable
Check mate
And when the lights dim
And falls slowly the curtain
I return to dance in a ring
With the skeleton man
And the bearded lady
The bird-boy and
The laughing dwarf;
Among dragons
And avenging angels
Winged maidens
And herds of blind men
Who bark
With open wide orbits
Taking me at last
To the world where
Uncertainty does not exist
In heaven. Or underground


Eliogabalus



Mr. Doctor .I



Mr. Doctor .II




Lyrics:
While on the surface
Light and shade take turns
And smile and tears
And fair and ugly
Saint and nasty
And the monstrous
Is just the different:
Tiny crack in the globe's perfection
Down there swarms excess:
Where exception is the rule
And the loathsome
Spreads always
Unexplored dimensions
And sundry doors
Open on the magma:
The black holes
In the terrible adventure
Of each night
Whose irrational daring
Springs only
From the ignorance
Of danger
The doors open wide
And streams of unknown
Flow into the sleep
The unnameable
Gave me the axe
To lop off the head
Sever the limbs
Disguise coldly
And throw away
My brother
Lights often keep secret hypnosis
Sleeping down
- There -
In the dark
"Undead is whoever
Can wait eternally
In ambush
Ready to seize
With the fangs'."
Slowly the phantoms
(Re)Ascend
Creeping through
The grey canals
Silently riding
The wings of reality
The mischievous glance
Speedily flares
While pure and deranged
My poor little sister
I deflower;
Or drive the red
- My red - Soaking blade
Into the boring beloved
Old benefactress' heart
And when the fog
Starts to unreel
And the obscure gulfs
Are covered again
As if nothing
Had ever happened
And yet the unaware people
Smile at me raising their hats:
"Mr. Doctor!".
And when the open wide eyes
Revisit
Every damned
Endless moment
I set out
Across the pebbles
Worn out
Laying my read
I stare at the lights
For the list time
Two lights
On the tracks

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Poesia e Matéria - De Umbrarum Regni Novem Portis

I - Silentium Est Aureum

O silêncio vale ouro, certas coisas não devem ser ditas, contadas, não chegarás ao grandioso castelo caso as conte.


II - Clausae Patent


Abrirás aquilo que estiver fechado, pois com o vosso valiosíssimo silêncio poderás encontrar a chave correta, mesmo que tenhas a impressão de que corre perigo.

III - Verbum Dimissum Custodiat Arcanum


Mantenha-se firme e atento em vossa jornada, mesmo que pareça que os céus conspirem contra vossa pessoa, que pareça que o perigo se amplifique cada vez mais, pois a palavra perdida guarda o segredo.

IV - Fortuna Non Omnibus Aeque

O destino não é o mesmo para todos, nem todos aqueles que compreendem que o silêncio vale ouro e que a a palavra perdida guarda o segredo, terão destinos iguais. Nem todos que abrirem a porta fechada do labirinto chegarão à saída.

V - Frustra


Os de destino desafortunado contarão vossa recompensa em vão, pois a morte estará com uma ampulheta ao seu lado contando o tempo constantemente.

VI - Ditesco Mori

Estes terão plena consciência de que são enriquecidos com a morte, e por tanto mesmo assim não termerão pelo seu destino em nenhum momento.

VII - Discipulus Potior Magistro


O discipulo supera o mestre, à esta altura já transcendera a luz e as trevas, o dia e a noite, compreende que não existe diferença entre o alto e o baixo, entre o rei e o camponês, compreende a dualidade.

VIII - Victa Iacet Virtus

Virtude encontra-se derrotada, transcendera a luz e as trevas e por tanto não existe mais o divino e o não-divino, a virtude e o pecado, então assim o medo não te preenche mais.

IX - Nunc Scio Tenebris Lux


Compreendi as nove portas para o reino das sombras! Agora eu sei que as trevas vem da luz! Agora minha alma encontra-se livre!

Explicação:



Essa é a minha interpretação de maneira poética sobre as 9 gravuras contidas no livro fictício "De Umbrarum Regni Novem Portis" do filme O Último Portal (The Ninth Gate) de Roman Polanski. (Filme que foi baseado no livro The Club Dumas de Arturo Perez Reverte)

Para mim elas possuem um grande e valioso significado e por este motivo eu coloquei a minha interpretação sobre elas aqui, espero que vocês gostem! (Mesmo que não conheçam o filme).




Atenção! O livro aqui no Brasil possui outra capa, não a coloquei porque não encontrei uma com qualidade decente e apropriada. (Recomendo extremamente essa leitura!)

Matéria - Arte Satânica


O Satanismo tem como foco as forças da Natureza, mas em particular as forças da Natureza Humana, e não possui nenhum tipo de submissão à uma divindade ou a um conjunto de códigos morais (vulgo pecados).

Então, o que seria qualquer arte relacionada ao Satanismo? às "trevas" ? à Natureza? Qual é o vosso conceito sobre tal metáfora para uma das faces do Universo?

"How wonderful falling into this darkness. Blow up the last torches and shut up your eternal chant. Lucifer! Helel Ben Shahar. Shining Master of light, Prince of dawn, wipe the shadows out of my spirit, banish weakness from my body, give me the strangth of Power, let my throat be ripped up by crying My Devotion. In my devotion the sign of Voor. In my devotion the sword of Hathoor. May the four elements become my allies, may the faith of darkness be my weapon and the spirit my temple. Son of time-s forces, deter my mind from the wicked ignorance of the Lambs of god."

O termo Satanismo, assim como Diabo, ou como Demônio ou qualquer coisa relacionada é demasiado "crucificado" até nos dias de hoje, por conta de toda uma baboseira secular criada pela Igreja. (Logo, grande parte das pessoas que vêem quaquer coisa relacionada já julgam baseando-se na própria ignorância e medo inexaurível e inexorável de uma inexistência criada para queimar humanos.)

Sendo assim, acredito eu que o verdadeiro significado de tais termos não podem ser explicados e sim compreendidos (Assim como qualquer coisa relacionada ao Oculto ou quando se trata de Leis do Universo, visto que nossa linguagem é algo estúpidamente precário no que se refere à transmissão expressiva de sentimentos e pensamentos), então não iniciarei aqui toda uma explicação à respeito dos mesmos com o intuito de que alguém venha a obter a mesma compreensão que eu tenho sobre os mesmos pois eu sinceramente não me importo.

O grande momento chegara! Conheçam um pouco da arte relacionada que tenho a apresentar:

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Born in the Grave



The Oak



The Call of the Wood .I



The Call of the Wood .II



Fronds of the Ancient Walnut .I



Fronds of the Ancient Walnut .II



The Naked and the Dance



My Devotion .I



My Devotion .II


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Compositor que eu particularmente gosto muito de trilhas sonóras para Filmes de Terror de Los Angeles e membro da Church of Satan de LaVey, conheçam seu portfólio em seu site. (No link em seu nome, lá você encontra o contato para fins profissionais.) (Mesmo eu duvidando que alguém aqui no Brasil iria pedir serviço dele, é claro rs..)

An Evening Eclipse



Battle Hymm of the Apocalypse



Harpsidischordia




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Amber Asylum


Volcano Suite



Riviera



Black Waltz




Para finalizar! Um vídeo "desconexo"! Contemplai!


Arquivo - Na Fogueira da Inquisição



Também compartilhas tu da crença de que seria condenado a queimar até a morte se estivéssemos no período da inquisição?

Então tu! Como herege, baixe o antigo Malleus Maleficarum (Witch's Hammer) para que possas ver com os próprios olhos como os inquisidores caçavam e condenavam as bruxas.


Malleus Maleficarum

Achtung! English knowledge is required!

Poesia - Murmúrios da Esposa



Revestiu-se com longas vestes com a cor das paredes do abismo,
Tratava-se de um vestido azul-escuro com detalhes que lembram a lua,
Indescritível!
Ela parou na sacada de seu castelo ante as colinas,
E com olhos repletos de lágrimas, utilizara de um breve aceno.


Aceno que naquele momento representava uma dor inefável,
Uma dor de quem perdia seu amor para um evento terrível da existência,
De quem perdia seu amor para a guerra!


Por incontáveis noites de solidão nos gélidos aposentos de seu recanto,
As escuras paredes contemplaram os tristes murmúrios da esposa,
Em confortante compreensão,
E durante longuíssimos anos, repletos de intermináveis e
Insuportáveis dias de dor e esperança,
Este antigo castelo que guarda memórias cujas lembranças
São tão belas quanto as rosas que compõem seu tão bem cuidado jardim,
Presenciara...


Presenciara a esposa despertando a imaginar o rústico portão,
Ranger com a entrada de seu sempre amado marido,
E dormindo também, sonhando ser acordada com seus carinhos
Que sustentavam sua vida com uma luz de proporções descomunais.


Passaram-se muitos anos e as noites tornaram-se cada vez mais tenebrosas,
Seu desespero, sua falta de compreensão e necessidade de amor aumentaram gradativamente.
A esposa já não tinha mais controle de nada,
As rosas em seu jardim dormiram para sempre num estado de morte
Que neste fúnebre dia compuseram os arredores de seu castelo com uma atmosfera de aterradora solidão.


A esposa caminhara para fora do castelo, e por entre as
Árvores escuras e retorcidas da floresta, tropeçara em
Pequenos galhos e caíra desprovida de forças na neve,
Com esperanças de encontrar seu amor perdido na floresta,
Enquanto estava num completo estado de alucinação, num sono
Que a enchera de sonhos que se misturavam com a
Realidade em alguns instantes.


Os lobos uivaram ao ouvir o impacto de seu corpo petrificado na neve,
Formando assim um coral que se misturava com o doce soprar do vento.
Estes contemplaram uma luz erguendo-se na floresta, que seguiu-se até o horizonte,
Onde encontrava-se a alma de seu marido.


Coberto de neve, seu corpo, assim como o de seu marido,
Deixou de existir com o passar dos anos, mas o amor insólito dos dois,
Permanecera e permanecerá em todos os lugares
Durante toda a eternidade, durante o infinito passar das eras.


Erich William von Tellerstein.