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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tradução - Nemesis (Poesia de H.P Lovecraft)

Olá a todos,

Este é um trabalho cuja complexidade em sua realização deve ser considerávelmente notável, visto que o vocabulário do Lovecraft era intensamente vasto e de amplos significados. Realizei esta tradução a meu modo, de maneira pessoal, desprovido de demais cuidados profissionais visto que não disponho de formação acadêmica necessária para receber critica a tal nível; entretanto, encerrei a tradução desta obra e ficaria agradecido em ler a opinião de vocês. Muitas obras do Lovecraft carecem de tradução para o Português e eu acho que mais brasileiros deveriam conhecer a magnificência contida em suas fantásticas e excepcionais obras.

Colocarei primeiro a minha tradução e em seguida o texto original do autor em Inglês.

Nemesis - Howard Phillips Lovecraft


Através dos bem-guardados portões do sono,
Passados na noite abismos abatidos,
Vivi minhas vidas tendo dos números o abandono,
Ressoando em todas as coisas com visão de vís sentidos,
E eu luto e grito onde o dia termina, sendo levado à loucura com pavor.

Rodopiei com a terra no crepúsculo matinal,
Quando o céu ainda era uma vaporosa chama.
Contemplei o bocejar do soturno universo ascensional,
Onde os planetas em seu negror giram em vil trama.
Onde eles giram em seu horror despercebido, desprovidos de saber, brilho ou nome.

Eu flutuei onde os oceanos não possuem fim,
Sob sinistros céus cinzentos e nublados.
De maneira que muitos raios laceram por fim,
Reverberando com histéricos gritos e tornados;
Com os gemidos de invisíveis demônios que emergem das esverdeadas águas.

Tenho imergido através dos arcos feito animal,
Do bosque primordial e grisalho,
Onde o carvalho sente a presença espectral,
E espreita onde nenhum espírito vaga em ato falho;
E eu fujo de algo a me perseguir, que observa através de gravetos mortos acima de mim.

Tenho cambaleado por montanhas escondidas por cavernas,
Que emergem estéreis e mortas da planície,
Tenho me embebedado em imundas fontes qual cego em tavernas,
Enevoadas fontes que exsudam-se ao pântano do fundo à superfície;
E em amaldiçoadas andorinhas-do-mar vi coisas que não ousaria ver novamente.

Escaneei o vasto palácio revestido de heras,
Trilhei seu desocupado salão,
Onde a lua a contorcer-se de vales por eras,
Demonstra tapeçadas cousas na parede com agressão;
Estranhas figuras discordantemente tecidas, das quais eu não suportaria recordar.

Tenho igualado da sacada de uma janela em admiração,
Nos moldadores prados que me cercam.
Nos muitos vilarejos que jazem abaixo com telhas em expansão
A maldição de um chão cujas covas o fecham;
E de carreiras de branco mármore esculpido ouço atentamente por som.

Assombrei as tumbas das eras,
Tenho fluido nos pinhões do medo.
Onde o esfumaçado Erebus arrota em crateras,
Onde os Jokulls cobertos de neve agigantam-se cedo;
E nos planos onde o sol do deserto consome aquilo que nunca pode animar.

Eu era velho quando ajustaram-se os faraós,
O trono ao Nilo coberto de jóias;
Eu era velho naquelas não-contadas épocas como avós,
Quando eu, e apenas eu, era vil.
E humano, apesar de não-atentado e feliz, residido em êxtase na longínqua ilha Ártica.

Oh, grande era o pecado de minha alma,
E grande é o alcance de sua perdição;
Não é a piedade dos céus que podem trazer-lhe calma,
Nem o descanso na sepultura encontrar sua localização:
Que venha as infinitas eras batendo suas asas de impiedosa treva.

Através dos bem-guardados portões do sono,
Passados na noite abismos abatidos,
Vivi minhas vidas tendo dos números o abandono,
Ressoando em todas as coisas com visão de vís sentidos,
E eu luto e grito onde o dia termina, sendo levado à loucura com pavor.


Tradução por Ericson Willians.

Original em Inglês:

Thro’ the ghoul-guarded gateways of slumber,
Past the wan-moon’d abysses of night,
I have liv’d o’er my lives without number,
I have sounded all things with my sight;
And I struggle and shriek ere the daybreak, being driven to madness with fright.

I have whirl’d with the earth at the dawning,
When the sky was a vaporous flame;
I have seen the dark universe yawning,
Where the black planets roll without aim;
Where they roll in their horror unheeded, without knowledge or lustre or name.

I had drifted o’er seas without ending,
Under sinister grey-clouded skies
That the many-fork’d lightning is rending,
That resound with hysterical cries;
With the moans of invisible daemons that out of the green waters rise.

I have plung’d like a deer thro’ the arches
Of the hoary primoridal grove,
Where the oaks feel the presence that marches
And stalks on where no spirit dares rove;
And I flee from a thing that surrounds me, and leers thro’ dead branches above.

I have stumbled by cave-ridden mountains
That rise barren and bleak from the plain,
I have drunk of the fog-foetid fountains
That ooze down to the marsh and the main;
And in hot cursed tarns I have seen things I care not to gaze on again.

I have scann’d the vast ivy-clad palace,
I have trod its untenanted hall,
Where the moon writhing up from the valleys
Shews the tapestried things on the wall;
Strange figures discordantly woven, which I cannot endure to recall.

I have peer’d from the casement in wonder
At the mouldering meadows around,
At the many-roof’d village laid under
The curse of a grave-girdled ground;
And from rows of white urn-carven marble I listen intently for sound.

I have haunted the tombs of the ages,
I have flown on the pinions of fear
Where the smoke-belching Erebus rages,
Where the jokulls loom snow-clad and drear:
And in realms where the sun of the desert consumes what it never can cheer.

I was old when the Pharaohs first mounted
The jewel-deck’d throne by the Nile;
I was old in those epochs uncounted
When I, and I only, was vile;
And Man, yet untainted and happy, dwelt in bliss on the far Arctic isle.

Oh, great was the sin of my spirit,
And great is the reach of its doom;
Not the pity of Heaven can cheer it,
Nor can respite be found in the tomb:
Down the infinite aeons come beating the wings of unmerciful gloom.

Thro’ the ghoul-guarded gateways of slumber,
Past the wan-moon’d abysses of night,
I have liv’d o’er my lives without number,
I have sounded all things with my sight;
And I struggle and shriek ere the daybreak, being driven to madness with fright.


Translated to Portuguese by Erich William von Tellerstein.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Poesia - Solidão

A intensa dor do lamento,
O recuar da figura mortuária.
Agonizar sem estar isento,
Do luar da noite sangüinária.


Destino frio dos condenados,
Que a si perpetuaram o horror.
Manifestam-se amaldiçoados,
Amplificam o abatido negror.


Planícies de perpétuo silêncio,
Ensurdecem o gélido coração.
No escuro aceso está o incenso,
Mas o sentir impede a ascensão.


Profundos pântanos e lagos,
Guardam a sua triste natureza.
Remonta ao tempo de magos,
Trancados por sua destreza.


Tem, por fim, toda a vil escuridão,
Em todas as suas horrendas formas.
Utiliza da dor para ditar suas normas,
E dirigem-se a tal torpor por solidão.

Erich William von Tellerstein.

domingo, 11 de setembro de 2011

Poesia - Um Olhar Para o Abismo

Quando olhei fixamente para o abismo,
Vislumbrei uma sucessão de horrores.
Entretanto, perdi-me em seu erotismo,
Mergulhando num mar de vis cores.


Passei a freqüentar a mesma dimensão,
Perdendo a noção do tempo e do espaço.
Então, de repente, envolto nesta escuridão,
Aliviou-me a alma um desconhecido abraço.


Um anjo, mulher de natureza inefável,
Conquistou legiões de criaturas abissais.
Resgatou-me das garras do inominável,
E mostrou-me, que em mim residia tais animais.

Erich William von Tellerstein.