Explorai!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Poesia - Lago Drago


Profundo na onírica floresta,
Que enegrecida por velhos demônios,
Foi consumida por nuvem funesta;
Jaz lago drago dos pandemônios.

O silêncio é sua atroz morada;
Entretanto, é de todo gritante:
Vocifera excruciante e berrante,
Mas sem perder sua morte amada.

Lago drago dorme entorpecido,
Porém vigia-lhe toda a alma;
Que se um dia ostentou calma,
Certamente há de ter padecido.

Profundo por entre lar de bruxedos,
Que velhos seres puseram vis dedos,
Jaz lago drago dos alados demônios,
Mestres da dor e dos pandemônios.

Não obstante, reis em todo o abismo,
Conjuram tênue luz esverdeada;
Sobre a água parada sob hipnotismo,
De Lago Drago da paz crucificada.

Não somente pregada, mas enterrada,
Embora mais inefável impossível,
Em seu torpor de ordem inconcebível,
E mergulhado em caos de rajada:

De seres das vibrações do fogo,
Do mais cavernoso dos andares,
De um inferno vil de vil jogo,
Em pavorosa visão ladra de alma.

Profundo na onírica floresta,
Que enegrecida por velhos demônios,
Foi consumida por nuvem funesta;
Jaz dragão criador de pandemônios.

Erich William von Tellerstein.

sábado, 7 de julho de 2012

A Rainha do Reino das Sombras


Nasceu nas trevas do nono complexo de catacumbas; 
Nas purpúreas chamas do vasto inferno de atrocidades.
Em sua fúria torturou antigo espírito condenado, 
Assim que cruzou venenoso lago corrosivo a nado.


Tal tortura deu forma a uma criatura até então amorfa, 
Que destacou-se entre diabretes de crueldade órfã.


Rezou enquanto excruciava frenética:


Chama infernal,
Que urge ardente.
Espalhe o mal,
Que apraz a gente.


O abismo clama por nós;
Seu denso e vil negror. 
Desmembra logo após,
Tempestade de horror.


Mate pois da morte vem a vida,
Já que a vida é nada além da morte.


Nasceu nas trevas do nono complexo de catacumbas; 
Nas purpúreas chamas do vasto inferno de atrocidades.
Com sua magia torturou antigo errante espirito, 
Assim que amaldiçoou torto vale dos malditos.


Rezou enquanto deleitava-se frenética:


Chama infernal,
Que urge ardente.
Espalhe o mal,
Que apraz a gente.


As vis trevas conspiram;
Em rancor colossal. 
Para aqueles que riram,
Do torpor abissal.


Mate pois da morte vem a vida,
Já que a vida é nada além da morte.

Erich William von Tellerstein.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Poesia - Espectro Triangular

"A Bruxa, por Agatha Walvike."

Foi em terrível noite fria e luarenta,
Que fez-se visível sua abissal criação:
Cavernosa criatura que vil aparenta,
Ter sido mutilada por férrea mão.


Trata-se da sublime arte do inominável,
De uma bruxa de olhar indecifrável.
Carrasco de cabeça triangular criou,
A fim de decepar quem vislumbrou:


A Grande Noite de Rubra Dor.


Tenebroso evento sanguinolento,
Onde se sente garras no vento,
Ocorre em limoso círculo pedroso,
O qual verte assassino em medroso.


Muitos são escolhidos para sacrifício,
Em nome de horrendo e cósmico ofício:
O das inescrutáveis trevas rastejantes,
Que têm do Sangue o valor de diamantes.


Eis o Guardião dos Condenados!
A maldição sempre triunfante,
Que desmembra os amaldiçoados,
Em fúria de velho horror arfante.


Trata-se da majestosa arte do inominado,
De bruxa que no inferno tem seu reinado.
Funesto monstro de cabeça triangular evocou,
A fim de cessar a voz que no silêncio ecoou.


A fim de cessar a tua voz,
Na Grande Noite de Rubra Dor.


Erich William von Tellerstein.

Imagem original do escaneamento de Agatha Walvike.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Poesia - Guardiã do Umbral


Que sentiria ao fitar profundamente,
Guardiã do Umbral que gela-lhe a mente?
Com olhos negros como o vil abismo,
Que destroem-lhe a alma com romantismo.


Serpentiforme em sua notável beleza,
Portadora de colar de jóia luminífera;
Fareja inexorável os traços da avareza,
Obliterando quando há psique infrutífera.


Sentiria incessantes fortes calafrios?
Deletérios arrepios sórdidos e frios?
Com olhos de mortal perdido no abismo,
Que ignorou toda a vida o misticismo.


Labirintiforme em sua ofuscada pureza,
É mestre no assolar de noite mortífera;
Fareja soporífera os traços da fraqueza,
Envenenando quando há vida calorífera.


Que sentiria ao evocar do infinito abismo,
Guardiã do Umbral que desperta-lhe a mente?
Com olhos penetrantes em morto erotismo,
Que picam-lhe a vida qual letal serpente.


Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Poesia - A Campina e Minha Amada


Ah! Nada como a suave brisa mortuária,
Desta bela campina de flores infernais;
Todas exalando o meu doce odor de dor,
Minha predileta fragrância de torpor.


Oh corvos, como adoro tais maldições!
Impostas por tempestades de outrora,
Que agora eliminam-me as tortas horas,
Em voluptuoso sono de vis excruciações.


Vampira ninfa de assassinos esquecidos,
Por onde estiveras minha querida amada?
Será que por penosos vales descoloridos,
A procura d'uma vítima a ser ferroada?


Dize-me, dize-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Ah! Nada como tão inebriante cheiro,
Que mata-me, encanta-me por inteiro.


Oh corvos, como amo-te por maldições!
Impostas por maledicências de outrora,
Que agora eliminam-me as vagas horas,
Em voluptuoso sono de vis excruciações.


Vampira ninfa de mortífera sensualidade,
Por onde estiveras minha querida amada?
Será que arquitetando em voluptuosidade,
A melhor maneira de dar-me uma ferroada?


Mata-me, mata-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Oh! Estás, estás a sentir o meu cheiro,
Pretendes, queres, matar-me por inteiro?


Ai de mim, minha amada! Não vês o céu?
Ele derrama lágrimas de sangue tão belas!
És-me a mais venenosa e linda das donzelas,
Desejas, de fato, da vida retirar-me o véu?


Não mata-me, não, o sol ainda brilha forte!
Inda que seus raios sejam feitos de morte.
Não serei a sorte da morte com mero corte;
Só porque pensas que és de mal de tal porte.


Oh corvos, como amo-te amaldiçoada como és!
Imposta à tortura abissal da cabeça aos pés.
Não desconta tuas dores em mim meu desamor,
Pois ouve, ouve minha flor, o meu clamor!


Mata-me, mata-me, sem mais, meu amor!
Ou será que estou cego pelo vil odor?
Entonteceste-me a Vontade, a pobre alma,
Devorar-me-á, por ter-me em tua palma?


Perdoa-me, perdoa-me, perdoa-me!
Antes, eu apenas gostaria de dizer que eu te...

Erich William von Tellerstein.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Poesia - A Vida e Sua Foice



Irra a vil dor crepuscular!
Desta maldita visão do mar,
Que mata-me antes da Morte,
Que já eliminou-me a sorte.


Mas que raios inventou a Vida?
Evolução por abissais chagas;
Excrucia com ignorantes pragas;
Mais uma alma a ser acolhida.


Hei de jogar-me de tal altura,
Ao mar desprovido de ditadura;
Que há de receber-me à altura:
Uma alma que vem desta tortura.


A experiência neste buraco,
Conhecido como Planeta Terra;
Mas por mim como Velha Guerra;
Resume-se à mão d'um carrasco.


Irra a dor deste vil horizonte!
Onde o céu cinzento crocita,
Como um antigo corvo a morrer;
Padece a alma dos amaldiçoados.


Mas que raios inventou a Vida?
Evolução por terríveis chagas;
Espalham-se e reúnem-se pragas;
Mais uma alma a ser acolhida.


Ouço a sinfonia dos esquecidos;
Os mortos que tocam dançantes,
Em suas mortuárias lamúrias;
Matando meus pensamentos uivantes.


Choram torturantes e torturados,
Excruciantes e excruciados,
Neste precipício de vis rochedos,
Em onírico teatro de abandonados.


Hei de jogar-me desta ditadura,
Ao infinito oceano de loucura;
Que há de receber-me à altura:
Uma alma que não tem mais cura.

Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Poesia - Réquiem das Almas


Sacerdotisa V.


Em vil e triste Réquiem das Almas,
Tal como este em que te encontras;
Bebe do cálice de energia vital,
E sente o fervor do submundo astral.


Discípulo Aspirante


Assim o faço Vossa Majestade,
Para verter-me em Tempestade;
Tal como fazeis Vós sem idade,
Assolando mortais em futilidade.


Corrompe-me a térrea ilusão,
Da mente adquirir tal expansão;
Inda que estivesse no leito de Morte,
Melhor seria que estar à mercê da Sorte.


Malditos!


Mortais que morram com ela! 
Com a mesma cruel intensidade,
Com que destroem a Mãe Natureza;
Os elementais de Fraternidade.


Sacerdotisa V.


Em vil e triste Réquiem das Almas,
Tal como este que traz-lhe calma;
Bebe do cálice de energia vital,
E sente o fervor do que é letal.


Discípulo Aspirante


Assim o faço Vossa Majestade,
Para verter-me em sem-idade;
Tal como fazeis Vós Tempestade,
Assolando mortais em futilidade.


Dissipa-me a térrea ilusão,
Fazer aqui ao abismo tamanha alusão;
Inda que estivesse no leito de Morte,
Melhor seria que estar à mercê da Sorte.


Fúteis de impropérios!


Que morram com ela, como já o fazem!
Com o mesmo pequeno ar de sapiência,
Com que destroem a Mãe Natureza;
Chamando tal heresia de Ciência.


Maledictus!


Sacerdotisa V.


Em vil e triste Réquiem das Almas,
Tal como este em que te encontras;
Bebe do dourado cálice de sangue,
E deixa o próximo de todo exangue.

Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Poesia - Igreja Tenebrosa

Sanguinolento altar sacrificial;
Eis onde horrores se horrorizam,
Num único golpe quase imaterial;
Qu'excrucia vis que climatizam:


A secular morta Igreja Tenebrosa,
Cujo clero ama Cristo como Nero;
Clero este tão belo quanto rosa,
Pois trata-se d'orrendo Vampiro.


Lugar de iniciação à velha Corte,
Ao cósmico ventre de maldições;
Lugar pra passar a andar à noite,
Para todo sempre com erudições.


A secular viva Igreja Tenebrosa,
Cujo clero ama Cristo como Nero,
Faz-se forte com sangue e esmero,
Pois sua Luz se iguala a Zero.


Sanguinolento altar sacrificial;
Eis ond'excruciações se excruciam,
Num único golpe quase imaterial;
Que horroriza vis que anunciam:


A chegada da Estrela da Manhã,
Na Igreja Tenebrosa dos Vampiros.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Poesia - Floresta Viva

Inebriante floresta tenebrosa,
Em profundos vínculos abissais;
Ilustra vil maravilha'ssombrosa,
Cuja dor traz males magistrais.

As sombras com olhos hipnotizam,
Qual serpente'm posição d'ataque,
A alma e o corpo que se desligam,
Num excruciante eterno tiquetaque.

A horrivelmente vívida escuridão,
Assume a forma de retorcidos galhos;
Iluminados por estrelas de solidão,
Compondo trevas de olheiros orvalhos.

D'escuros portais do esquecimento,
Surgem inomináveis monstruosidades;
Cujos olhares impõem enlouquecimento,
Co'imagens d'infernais voluptuosidades.

Crepúsculo sangüíneo silencia,
Aquilo que já morreu há séculos;
Em indescritível cósmica inércia,
Que traumatiza convictos incrédulos.

Inebriante floresta tenebrosa,
Em profundos vínculos abissais;
Criados por mim em hora'ssombrosa,
Traz prazer de males magistrais.

OBS: As visíveis elisões são propositais, e tenho plena consciência de que não são empregadas nas formas tradicionais de Poesia; foi de minha Vontade empregá-las.

Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Poesia - Mais Uma Noite Com a Morte

Beijar lentamente o pescoço da Morte,
Após obter de seus dentes belo corte;
Faz-me delirar em vívida fantasmagoria,
Fantasiando males de abissal categoria.


Onde estáveis Vós, minha Vampírica Majestade?
Que suga a sagrada vida tão docemente.
Donde vos retiráveis Vós qual forte tempestade?
Que destrói a vida em vil furor demente.


Acariciar e morder a gélida pele da Morte,
Após ter meu sangue drenado com belo corte;
Faz-me delirar em oníricas dores de euforia,
Com prazer que nenhum mortal pressuporia.


Onde estáveis Vós, oh Vampírica Suavidade?
Que suga a seiva da sagrada árvore da vida.
Deixáveis em meu coração cósmica ferida,
Quando partiu desconsiderando minha'finidade.


Mais uma longa e intensa noite com a Morte,
Era a minha Verdadeira Vontade;
Agora que morri para o mundo com Sorte,
Eu, vossa metade, hei de vagar sem idade.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Poesia - Succubus

Infernal lascívia taciturna,
Verifica-se no arcaico templo,
Oculto sob neblina soturna;
Onde a atroz Morte faz-se de exemplo.


Libidinosos atos sangrentos,
Emprega a vampira luarenta;
Que sobre os abismos pestilentos;
Vaga privada de vestimenta.


Em tal vil templo e abismos sórdidos,
Vitimo-me em penosas batalhas;
Contra horrendos horrores mórbidos,
Que incineram mais que mil fornalhas.


Ai de mim preso em suas tentações,
Tal criatura serra-me a alma!
Ofusca-me com belas ilusões,
Oblitera minha doce calma!


Ai de mim neste tenebroso amor,
Oculto sob neblina soturna;
Onde ela me morde com todo ardor,
Contra minha doce paz noturna.


Libidinosos atos sangrentos,
Emprega a vampira por meu corpo,
Em seus aposentos opulentos;
Drenando meu sangue pouco a pouco.

Erich William von Tellerstein.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Poesia - A Morte Alada e Crocitante

I. A Morte Alada


As vozes do lago adormecido, 
Ecoam sob a noite estrelada;
Revivendo com ar de padecido,
Vítimas da bela morte alada.


Que com seu cavalo flamejante,
Enterrou-lhos longa espada,
Fazendo-lhes seres rastejantes,
No submundo da morte alada.


Após o golpe de todo fatal,
Ela os carrega até o lago;
Demasiado vil e espectral,
Com águas de natureza letal.


II. A Morte Crocitante


As vozes do lago silencioso, 
Varrem o mundo dos que vivem;
Gritando qual corvo tenebroso,
Em seu crocitar do vasto além.


Que com seu infernal cantar missal,
Excruciou-lhos inominável maldição,
Petrificando-lhes em extrato abissal,
No submundo da linda mestra da lição.


Após o golpe de dor universal,
Ela os arrasta até o fundo;
Incinerando a alma como sal,
Com vis memórias deste mundo.


III. A Identidade da Morte Alada e Crocitante


Eu sou a morte alada que crocita,
O assombro das mentes perturbadas.
Eu sou a sorte do que ressuscita,
A paz das insanidades realizadas.


Minha beleza mortuária está na lua,
Pois sou da água e dos sentimentos;
O impulso dos temíveis atos violentos,
O que habita os sacrifícios lentos.


Eu sou as vozes do lago adormecido, 
E as estrelas da escuridão infinita.
Vivendo com cósmico ar de padecido,
Fazendo vítimas com minha'rte maldita.

Erich William von Tellerstein.

sábado, 24 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Poesia - Amor

I.


Uma tenebrosa e cósmica força,
Que o arremessa para o abismo.
Não há arte que pouco a distorça,
Possui vis efeitos do vampirismo.
Funciona com sórdido mecanismo,
Não há ser que muito a contorça,
Pois mesmo que alguém a retorça,
Perceberia os males de seu erotismo.
Então notaria o que é o hipnotismo,
E rezaria para que ninguém a torça.


Pois então, o que tens a me dizer sobre o amor?
Existe humano que já compreendeu tal mistério?
Se houve tal criatura, esta deve queimar com ardor,
Após ter sido decomposta em algum cemitério.


Visto que do material não se obtém nada sério,
Nada além de incontáveis inescrutáveis ilusões.
Afirmo que com amor maior constrói-se um império,
Livre de futilidade em todas as suas dimensões.


II.


O brutal ranger de um tornado,
Não se compara ao eterno amor;
Que brota na alma do condenado,
A fim de retirar-lhe a dor.


Eis o bem da maldade,
A crueldade dos bens;
Que ascende ao teu celeste,
E é como férreos trens.


O amor é a harmonia do abismo;
O quente soldar de vis dimensões.
O forte sondar do hipnotismo;
A Morte em suas imensidões.


Adjetivos não dão-lhe qualificação,
Pois com tal cousa não se pode ficar são.
O amor é a dor e ambos não existem pra ninguém,
Pois o Todo a tudo ama e não se contém.


Eis o bem celestial,
A crueldade dos trens;
Que dão carona ao umbral,
Ao som de beijos de bens.


III.


Assim como a morte nos aborda,
Gentilmente, vil ou brutalmente,
O amor emerge com uma corda,
Para enforcarmo-nos de repente.


Não obstante ele nos acorda,
De um profundo doce sono mental,
Cuja função muito nos transborda,
Com fluído de ardor sentimental.


Seja no mais nebuloso abismo,
Ou na luz das mais altas dimensões;
Nos faz acreditar que é destino,
Ou que não passa de vis ilusões.


Tal força retorce e move mundos,
Imperando sob e sobre a psique;
Pode encantar em alguns segundos,
Ou causar o mais horrendo tique.


Isto é amor, termo indecifrável,
Para definir o inestimável,
Ou a mais profunda satisfação;
De um casal, de um monge, de um perdão.


Assim como a morte nos transforma,
Gentilmente, vil ou brutalmente,
O amor emerge com mal que informa,
A chegada da velha serpente.


A mesma que tentou Eva a comer,
Da árvore do conhecimento;
Condenando os homens ao padecer,
E à bíblica ilusão do azarento.


Pois com amor surgiram bastardos,
Traidores, traições e mortes;
Condenações de ímpios inocentes,
Em inquisição de amor de crentes.


Entretanto serve de consolo,
De escada em profundezas abissais.
Nos livra e nos dá o pranto do tolo,
Matando-nos com dores colossais.


Isto é amor, termo imensurável,
Para definir o confortável,
Ou a mais profunda contemplação;
De um mago, de um artista, de uma unção.


Tal força nos retorce e aquece,
Assim como trata e enlouquece;
É o remédio e causa de mil dores,
O aroma de bombas ou de flores.


O amor é a Verdade, O Universo,
Que é infinito e sem definição.
Está nos anjos e nos demônios,
Num carinho ou em uma munição.


Quem ama ama a tudo que tem vida,
Pois tudo que vive é tudo que jaz.
Jaz na existência o mistério do amor,
Pois é vibração que ao cosmos apraz.

Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Poesia - Portais do Inescrutável

Imagem de minha Autoria.

Os portais do inescrutável adentrei,
Cruzando o Umbral de um cósmico rei.
Titânicos obeliscos de escuros tons,
Vislumbrei enquanto morria em sons.


A paisagem marítima marcou-me a alma,
Pois foi amaldiçoada com toda a calma;
De seres inomináveis doutras galáxias,
Revestidos de ilusões e vis falácias.


Suas formas estão em toda a natureza,
Escondidas com perturbadora destreza;
Assombram assombrados e assombrosos,
Que cruzaram tais portais tenebrosos.


Assim como Eu e meus outros Eus de mim,
Que agora só contemplam o cósmico fim.
O fim dos fins das eras de meus jardins,
Onde crescem cousas mortas do sem-fim.


Os portais do indecifrável adentrei,
Cruzando o Umbral d'uma cósmica lei.
Colossais obeliscos de escuros tons,
Esculpi enquanto mergulhava em sons.


Agora sou tais formas em toda natureza,
Escondido em cousas de soturna beleza;
Assombro assombrados e os assombrosos,
Que cruzam meus belos portais luminosos.

Erich William von Tellerstein.

domingo, 11 de março de 2012

Poesia - Sombra Viva


— Minha jovem, por que estás enfraquecida pela tristeza?



— Não é ela quem me entristece Senhor, mas sim, o inferno.


— Mas que inferno, bela jovem?


— Não estás a ver, ao teu lado, a se mover?


— Pois nada vejo, que vês, precisamente?


— O inferno!


— Congela-me o sangue tal olhar garota, para!


— Eu avisei!


Sombra assombrosa,
Vil venenosa,
Matou o Senhor,
Tristonho com dor.


Retira-se agora,
Ao mal de outrora,
Voltou pro abismo,
Com vil romantismo.


Vis vis vis versos,
Estes perversos,
Que co'amargura,
Falo em loucura.


Também sou a morte,
Por ter minha sorte.
Volto lá pro abismo,
Com meu romantismo.

Erich William von Tellerstein.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Poesia - Luto


Que tem de assustador na fria morte?

Se com freqüência ela tira a sorte,
De incontáveis famílias e amigos,
Impondo às mentes longos castigos.


Se é cousa normal, por que o espanto?
Talvez é o que um observador distante,
Diria a si mesmo diante do pranto,
De outros, imersos em dor excruciante.


Mas e quando a Morte a caminhar,
Com sua foice manchada de sangue,
Vem de longe esquelética e exangue,
Matar um conhecido em seu caminhar?


Aí as coisas mudam por completo.
Os outros tornam-se os observadores,
Tu te tornas todas as fortes dores,
E o luto torna-se teu vil dialeto.


Tu passas a habitar duas dimensões,
Sentes o impacto da queda da cortina,
Da ilusória vida em suas manifestações,
Obrigando tua mente a achar morfina.


Por fim, de fato, nada há com a morte,
Entretanto, sente-se na vida um corte:
Um cenário de exércitos de esqueletos,
Com espadas a decapitar humanos direitos.


Novamente, nada há com a nobre morte,
Mas sim com as vis vermiformes vidas,
Que habitam este planeta de feridas,
Dominado por primitivos que matam, destroem, desonram, eliminam;


Por esporte...


A Morte há de ser para eles, a sorte.


Escrevi esta poesia para expressar o que sinto em relação a morte de uma amiga que tive:

http://www.cifraclubnews.com.br/noticias/33029-camila-simont-guitarrista-brasileira-e-assassinada-a-facadas.html

Erich William von Tellerstein.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sunland - O Império das Sombras

Cercado de colossais muralhas de ossos impenetráveis,
O império das sombras assombra com seu negror em expansão;
Seus portões de variedades de negrume inescrutáveis,
Assustam qualquer Ser em posição de observação.


Cavernas dão acesso às profundezas do abismo,
Através de um complexo de túneis imensurável.
Os humanos que o conheceram morreram com seu hipnotismo,
E os que voltaram perderam a noção do que é amável.


O império inteiro é divido em organizados estados,
Governados por um rei de fisionomia indizível;
Nascido nas águas inomináveis dos agitados,
Mares das profundezas do vil inconcebível.


Carrega um terrível símbolo hipnotizante,
Visível de longe nas muralhas e arredores do reino.
Encontra-se no centro do planeta de frio excruciante,
Para assustar humanos com ou sem treino.

Erich William von Tellerstein.

terça-feira, 6 de março de 2012

Sunland - Solis Terra

Sunland refere-se a um mundo fictício que estou desenvolvendo. Toda nova obra que fizer parte desta minha criação levará "sunland" no título.


Simples mapa de Sunland que desenvolvi, hão de surgir outros melhores e mais detalhados. 


Um mundo onde o Sol tem importância,
Pois em sua amedrontadora elegância,
Terríveis seres espreitam sedentos de sangue,
Sejam vampiros ou sombras exangues;


Eles habitam a terra do Sol.


Os humanos há muito esqueceram seu idioma,
Pois sombras vivas o deixaram em longo coma;
Obrigando os mortais a falar como no inferno,
Trazendo assim maldições do abismo eterno;


Eles sobrevivem na terra do Sol.


A fauna e flora são como as belas auroras:
Cambaleantes formas de colorida opacidade.
Entretanto, no centro do continente de idade,
Há seres que carregam o terror de outrora;


Eles proliferam na terra do Sol.


Um mundo onde o Sol é símbolo de iconoclastia,
Pois ilumina terras de excruciantes heresias,
Livrando os homens de dentes perfurantes,
Mas nunca das voluptuosas vampiras dançantes;


Elas matam na terra do Sol.


Erich William von Tellerstein

Arquivo - Bahugera

É com muito orgulho que disponibilizo para Download a criação de meu amigo Jhony Crusius, Bahugera. Trata-se de uma criatura muito interessante que ganhou vida em minha comunidade Poesia Gótica, e que continua a crescer com o surgimento de mais obras sobre a mesma.

Link para Download


Cercado de pessoas assim em minha comunidade, como o Jhony, Wesley, Leonardo e outros, sinto-me na mesma situação em que Lovecraft se encontrava, compartilhando suas criações com seus colegas por correspondência.

Agradeço a todos!

Blog do Jhony Crusius:

http://imanentespoesias.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Poesia - Vil

O ulular decrépito dos mares;
Daquilo que há de vil em mim.
Eu avisto criaturas sem lares,
Naquilo que há de vil em mim.


Mas raios, que há de vil em mim?
Tenho caído em sombras lunares,
Explorado aberrações nucleares,
Manejado seres corpusculares,


E não sei o que há de vil em mim.


O ulular decrépito dos mares;
Segue-se de maldades em pares,
Criaturas de corpos tubulares,
Que compõem horrores seculares,


Não seria eu elas e os vis mares?


Mas raios, que há de vil em mim?
Tenho caído em torpor por semanas,
Observado tristes vidas mundanas,
Verificado que são todas profanas,


E não sei o que há de vil em mim.


Afinal, o que é ser vil?


Erich William von Tellerstein

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Poesia - Magia e Arte

Não há distinção entre um e outro,
Um ser animado e um ser inanimado,
Um ser e outro ser, estrela doutro,
Cosmo e dimensões do nunca-parado.


Quero sentir e ser as tempestades,
De Júpiter em longas e majestosas,
Eras de luminosas excentricidades,
Nos orgasmos de Deusas voluptuosas.


Desejo participar da bela criação,
Das atmosferas dos velhos planetas.
Senti-las gerar vida em expansão,
Vistas pelas mais variadas lunetas.


Expelir-me-ei em estranhos vapores,
De distantes cavidades vulcânicas,
Em inescrutável caos de vis calores,
Produzidos por criaturas titânicas.


Quero sentir e ver as raras colisões,
De buracos negros e grandes galáxias.
Do espectro de cores quero alusões,
Ao daltonismo em minhas ataraxias.


Da música quero todas as freqüências,
Em valsares de celestiais orquestras,
Que expressam-se por abissais mestras,
Da magia que é a Arte da Eloqüência.


Porém não há palavras para o Universo,
Apenas vibrações de pensantes mares,
Que agitam-se com a arte de um verso,
Iluminado por belos raios crepusculares.

Erich William von Tellerstein.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Matéria - Gloomy Sunday (Szomorú Vasárnap / Vége a Világnak)

A "famosa" peça húngara do suicídio, composta por Rezső Seress e publicada em 1933. Suponho que a maioria de vocês nunca ouviu falar dela, mas eu já, e a ouvi pela primeira vez na adolescência ao assistir um documentário do Discovery Channel sobre maldições (rs..); esta música era uma das maldições citadas, fascinei-me!
Acusam tal música de ser uma maldição, pois a mesma esta conectada com uma série de suicídios que aconteceram pelo mundo quando ela foi publicada em 1933. A história de tal obra é estonteante e senti-me na necessidade de escrever uma matéria sobre ela. Considerando que o que se encontra sobre ela está em Inglês, então, resolvi disponibilizar informações sobre a mesma em Português.



Rezső Seress (1899-1968)


Rezső Seress, Judeu, viveu a maior parte de sua vida na miséria em Budapeste, e foi levado para um campo de concentração pelos nazistas no ápice da segunda guerra mundial. Ele conseguiu sobreviver ao campo e conseguiu emprego num teatro e num circo, sendo um artista de trapézio, mas concentrou-se em escrever melodias e em cantar, após machucar-se no trabalho.
Seress começou a escrever melodias para o Piano apenas com uma mão. Compôs muitas melodias, incluindo Fizetek főúr (Garçon, traga-me a conta), Én úgy szeretek részeg lenni (Eu amo ficar bêbado), e uma música para o Partido Comunista Húngaro para comemorar a ponte pêncil atravessando o rio em Budapeste, Újra a Lánchídon.
Sua composição de maior sucesso foi a Szomorú Vasárnap (Gloomy Sunday / Domingo Triste, Domingo Tenebroso, Soturno Domingo, etc) escrita e publicada em 1933, composição esta que ganhou certa infâmia por ter sido associada com uma série de suicídios que ocorreram pelo mundo. Seress tinha uma forte lealdade pela Hungria, e ele ter sido pobre se deve ao fato de ele nunca ter tido vontade de ir até os EUA para coletar os seus royalties, pois preferia continuar como pianista no restaurante de Kispipa, em sua cidade natal. O lugar era o lugar preferido de prostitutas, músicos, espíritos bohêmios e da classe trabalhadora judaica.
Quando sua fama começou a lentamente desaparecer, juntamente com sua lealdade pelo partido comunista, Seress mergulhou na depressão. Apesar de ele ter conseguido sobreviver ao trabalho escravo aplicado pelos nazistas num campo na Ucrânia, sua mãe não conseguiu, aumentando ainda mais a melancolia e pessimismo de seu mundo.
Seress cometeu suicídio em Budapeste em janeiro de 1968; ele sobreviveu à queda (Saltou da janela), mas posteriormente, no hospital, sufocou-se até a morte com um arame. Seu obituário no New Work Times menciona a notória reputação de sua obra "Gloomy Sunday":


Budapeste, 13 de Janeiro.


Rezsoe Seress, com seu hino fúnebre Gloomy Sunday, que foi culpado de ter causado uma onda de suicídios durante a década de trinta, acabou com sua vida num suicídio hoje. As autoridades descobriram hoje que Mr. Seress pulou da janela de seu pequeno apartamento no último Domingo, pouco depois de seu sextagésimo nono aniversário. A década de trinta foi marcada por severa depressão econômica e sublevação política, que levaram à Segunda Guerra. A melancólica canção escrita por Mr. Seress, com letra por seu amigo poeta Ladislas Javor, declara em seu clímax, "Meu coração e eu decidimos acabar com tudo." foi condenada com o surgimento de suicídios, pelos oficiais da Hungria. Mr. Seress reclamou do sucesso de Gloomy Sunday, pois na verdade ele aumentava a sua infelicidade, porque ele sabia que jamais iria compor um segundo hit.


A Maldição de Vége a Világnak


Título original: "O fim do mundo", posteriormente alterado para "Gloomy Sunday"


Em dezembro de 1932 Seress estava tentando viver em Paris, mas todas as suas composições fracassaram miseravelmente em impressionar os franceses; ele continuou com o seu sonho de qualquer forma, estava determinado a tornar-se um internacionalmente famoso songwriter. Sua noiva brigava com ele constantemente por sentir-se insegura em relação a sua vida ambiciosa. Ela insistiu que ele conseguisse um trabalho de período integral, mas Seress permaneceu intransigente, respondendo-lhe que ou ele iria tornar-se um songwriter, ou iria tornar-se um mendigo, e que seria isso e ponto.
Numa tarde, as coisas finalmente vieram à tona. Seress e sua noiva tiveram uma feroz discussão sobre o seu total fracasso como compositor, e separaram-se com palavras de raiva. Um dia após a discussão (Que calhou de ser num domingo), Seress sentou-se ao Piano em seu apartamento e permaneceu fitando aborrecido a linha do horizonte parisience. Lá fora, tempestuosas nuvens aglomeravam-se no cinzento céu, e não demorou muito para que a forte chuva despencasse.
"Mas que Domingo Tenebroso" Seress disse a si mesmo enquanto tocava aleatoriedades em seu Piano com teclas de marfim, até que de repente, suas mãos começaram a tocar uma estranha melodia melancólica que aparentou encapsular toda a angústia que ele estava sentindo por causa da briga com sua namorada, misturada com o Tempo lá fora que nada ajudava.
"Sim, Gloomy Sunday! Este há de ser o título de minha nova canção" resmungou Seress, empolgado. Pegou um lapis e escreveu as notas num antigo cartão postal. Trinta minutos depois ele havia completado a sua canção. Seress enviou sua mais nova composição para um music publisher e esperou por sua aceitação, pois estava mais esperançoso do que costumava estar.
Alguns dias depois a partitura da canção retornou com uma nota de rejeição estampada a ela, que afirmava: "Gloomy Sunday tem uma melodia e ritmo estranhos e altamente depressivos, e nós lamentamos em informar que não podemos usá-la." A canção foi enviada para um outro publisher, e desta vez foi aceita. O music publisher disse a Seress que sua canção seria muito em breve distribuída em todas as maiores cidades do mundo. O Jovem húngaro estava extático.
Mas alguns meses depois que Gloomy Sunday foi impressa, houve uma enchente de estranhos acontecimentos que alegaram terem sido iniciados pela nova canção. Em Berlin, um jovem pediu para que uma banda tocasse Gloomy Sunday, e após a apresentação, o jovem foi para a sua casa e matou-se com um revolver, após reclamar aos parentes que estava severamente depressivo graças a uma melodia que ele não conseguia tirar de sua cabeça. A canção era Gloomy Sunday.
Uma semana depois de tal ocorrido, na mesma cidade, uma jovem assistente de uma loja foi encontrada após ter se enforcado em seu flat. A polícia ao investigar o suicídio, encontrou uma cópia da partitura de Gloomy Sunday no quarto da jovem. Dois dias depois desta outra tragédia, uma jovem secretária em Nova York intoxicou-se com gás, e em uma nota suicida que deixara, ela pedia para que Gloomy Sunday fosse tocada em seu funeral.
Semanas depois, outro nova iorquino, de oitenta e dois anos de idade, saltou da janela do septuagésimo andar, após tocar a mortal canção em seu Piano. Por volta do mesmo tempo, um adolescente em roma que ouviu a azarada música, pulou de uma ponte.
Or jornais do mundo não tardaram em reportar outras mortes associadas à obra de Seress. Um jornal cobriu o caso de uma mulher do norte de Londres que estava tocando já por setenta e oito vezes uma gravação de Gloomy Sunday no volume máximo, enfurecendo e assustando seus vizinhos, que haviam ouvido das fatalidades supostamente causadas pela música, ela havia travado de maneira que a música se repetisse infinitamente. Os vizinhos martelaram-lhe a porta e não receberam qualquer resposta, então foram forçados a abrir a porta; quando o fizeram, a mulher estava morta no chão (Overdose de algo que eu não soube traduzir, sorry).
Os meses passaram e relatos do gênero repetiram-se, forçando os chefes da BBC a banir a aparentemente amaldiçoada canção das rádios. Voltando à França, Seress, o homem que compôs a polêmica canção, viria a experimentar os efeitos adversos de sua criação. Ele escreveu à sua ex-noiva, pedindo por uma reconciliação, mas, após alguns dias, recebeu a terrível notícia. Seress descobriu da Polícia que seu amor havia se envenenado, e que, ao seu lado, havia uma cópia da partitura de sua Gloomy Sunday.


Eis uma gravação moderna de tal obra (E minha versão favorita):




Para quem quiser tocá-la no Piano ou qualquer outro instrumento, eis duas partituras que encontrei em formato PDF:


Versão que particularmente recomendo (Já toquei).


http://www.4shared.com/office/SqQeS0Eb/Rezso_Seress_-_Gloomy_Sunday.html


Outra versão.


http://www.4shared.com/office/tms7OQYI/vege_a_vilagnak-gloomy_sunday-.html

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poesia - Surreal Acontecimento

Em trinta de janeiro de trinta e três,
Hitler obtém sua almejada chancelaria;
Marcham soldados com forte embriaguez,
Com tochas e incomensurável egolatria.


Após decepções na república de Weimar,
Criada em dezenove para todo desgosto,
Resultando em natureza de vil alarmar,
Retirando a Alemanha de um fixo posto.


Faminta realidade pós estranho tratado,
Engatou alemães em imensurável vingança,
Versailles o mal, mas por quem assinado?
De fato os levou à inigualável vingança.


Muito xingaram tal documento duvidoso,
Todos partidos de direita da vigésima,
Década de clima fortemente assombroso,
Que gerou o que hoje desejam amnésia.


O partido dos trabalhadores alemães,
Deve sua posição de poder à inflação,
Que fez cidadãos sonharem em ter pães,
E morrerem famintos sem um só tostão.


Quebrou a bolsa no fim de vinte e nove,
Levando a Alemanha à excruciante dor.
Tratava-se de angústia que não se remove,
Então passaram a ouvir o antigo pintor.


Que pôs-se a falar longos discursos,
Combinados com hipnotizantes suásticas,
Carregadas de ódio em seus percursos,
A fim de encantar com férreos cursos.


Treblinka, Auschwitz, pesadelos reais,
Que aterrorizaram as nações do mundo,
E que encenaram horrores vis e teatrais,
A fim de limpar o que lhes era imundo.


Nada sabia o povo alemão do Holocausto;
Os Nazi eram demais versados na propaganda,
Pois enganaram com maestria de infausto,
Demônio que pede extermínio em demanda.


Em trinta e três quem podia imaginar,
O que viria nos doze anos seguintes?
De regime nazista contente em eliminar;
Até hoje é surreal sua voz aos ouvintes.


Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Poesia - A Dança dos Mortos



Enquanto há vida há a possibilidade,
Dum Vivo ser convidado à grande dança,
Cuja expressão pertence à Sem-Idade:
Onírica beleza que pelo viver avança.


Sábia e magistral afina seu violino;
A saber, todo feito de ossos humanos,
Que em oposição aos do nobre felino,
São presos à matéria; vêm de mundanos.


A harmonia produzida pelos vis sons,
Combinados com uma destreza abissal,
Encanta e organiza seres maus e bons,
Numa única dança de fervor colossal.


A fim de estabelecer um lindo padrão,
Responsável por dar início aos mortos,
Que formam belos um grande esquadrão,
De ossos que dançam febris e absortos.


Eis o resultado da longa peste negra,
Carregada por alegres negros ratos.
Que valsou por toda Europa sem regra,
Trazendo a dança das ruas aos pratos.


Voilà! Dançai o clero e lindas rainhas,
A burguesia, reis e os há muito pobres;
Sorrindo pra Morte com suas valsinhas,
Morrendo sem ouro e outras cousas nobres.

Erich William von Tellerstein

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Poesia - História

Miríades de bruxas a queimar,
Iluminam os Céus da "verdade",
Enquanto o clero a gargalhar,
Mutila inocentes com "bondade".


Incontáveis nazistas a matar,
Iluminam as ruas de Varsóvia,
Em razão do ato de disparar,
Que vem da Itália à Moldávia.


Milhares de pagãos a crucificar,
Redimem-se diante de Vlad Tepes,
E da Condessa Bathory a se banhar,
No sangue de virgens que bebe.


Hordas de vikings a pilhar,
Assolam e estupram cidades.
Maravilham-se com seu queimar,
Destruindo como tempestades.


Eis um pouco de meu planeta:
Bela expansão do vasto abismo,
Que se enterra por uma gorjeta,
Mascarando demônios com erotismo.

Erich William von Tellerstein

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Poesia - Tentações com Arcos

Sedutoras arqueiras dançam e saltam vis,
Enquanto apontam venenosíssimas flechas,
Aos transeuntes de um cenário sem matiz,
Que abriram uma porta que não se fecha:


A entrada para as escadarias em espiral,
Que, iluminadas por tochas, levam ao lar,
De uma monstruosidade longa e ancestral,
Cuja sina é a de horrivelmente aquartelar,


A fim de formar exércitos de aracnídeos,
E alastrar um Caos de temperamento estelar,
Explodindo com força de dez mil eqüídeos,
Juntando-se com as arqueiras vis a dançar.


Voluptuosas embarcam com excruciante paz,
Em surtos de frenéticas aniquilações;
Atraindo a atenção daquele que a dor apraz:
Orgânico aglomerado de viscosas maldições.


Sedutoras danças e saltos condenam vis,
Humanos vencidos pela astuta curiosidade.
Como transeuntes caem em abismo sem matiz,
E morrem por picadas e flechas de maldade.


Erich William von Tellerstein

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Poesia - Entretenimento no Submundo

A centípede criatura urrou no fim,
Dum infernal evento imemorável;
A fim de assemelhar-se a mim,
Em devaneio de mal inexorável.


Pirâmides de crânios enferrujados,
Em carcaças de coisas esquecidas:
Compõem tal lugar de amaldiçoados,
Com fontes de sangue enriquecidas.


Miríades de rastejantes heresias,
Decepam partes já decepadas,
A fim de servirem de anestesias,
A horrores de origens escalpadas.


Eis o teatro das dores cósmicas:
O lixo infra dimensional que apraz;
Apraz às naturezas telescópicas,
Dos fúteis de ignorância vil e tenaz.


A centípede criatura era pequena,
Num infernal evento imemorável;
Devorou-me na sangrenta arena,
Deixando só a alma imensurável.


Erich William von Tellerstein

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poesia - Sou nada

Escrevo sem saber o que escrevo, 
Mas o faço em minha pura essência,
Que é nada, senão, a de escravo,
Preso à ausência de vivência.


Falta esta que apenas eu vejo,
Visto que o Universo todo almejo;
Dado o vil reflexo enigmático,
Do negro espelho velho e dramático:


Refletindo a mim, outro espelho.


Sou como dueto de Piano e Violino,
Sem intérpretes para Música existir;
Porém, todo musical e sem destino,
Já que sou todos eles num sentir.


Pois para cada segundo de vida,
Há uma equivalência atemporal,
Escrita em partitura suicida,
Do que é eterno e magistral:


Ensinando a mim, outro discípulo.


Pequeno sou diante daquilo que penso e escrevo,
Mas o faço com pesar do gritar de mil corvos,
Que é nada além do sangue naquilo que manuscrevo,
Servindo de tinta para papel e tela com corpos,


Já que sou tudo aquilo que morre,
Renascendo após eras de escuridão.
Sou daquilo que o impossível corre,
Sou nada, morrendo em imensidão:


Sou a opulência dando valor ao pão.

Erich William von Tellerstein.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Poesia - Só

I. Só


Caiu a noite neste funesto deserto, 
Onde brilha branda a lua já padecida.
Surgiu a Morte e disse: Nada é certo,
Mas certamente, morrerás, decerto;
Neste cenário de maldição esquecida,


Pois não sobrou ninguém, ninguém,
Apenas tu, morto, morto em desdém.


Raiou o dia neste desértico funeral,
Onde não há alma viva para lamentar,
Pois matar! Matar, foi o que disseram,
Antes de morrerem e a mim cumprimentar;
Desejando retroceder à vida mineral,


Pois o sol em si era o arquétipo do lamento,
E os fantasmas assombravam sem vida o azarento.


II. Confusão


Estou vivo ou morto? Sou a vida ou a morte?
Neste jogo de inexistência de sorte, 
Sou do porte do amaldiçoado ou o que amaldiçoa?
Faria diferença? A maldição trataria com indiferença?
E se este deserto for a felicidade? Como isto soa?
Um corte! Um corte! Na vida ou na morte?
Caso soe bem...


III. Companhia


Caiu a noite novamente, mas com vil inocência,
Onde brilham as estrelas, lindas e de ardor espectral.
Neste deserto, deserto! Elas são minha companhia! Minha essência!
Onde brilham as estrelas? Onde? Por favor?
Não consigo mais vê-las...
A morte que surgiu era Morte ou era eu?
Só?

Erich William von Tellerstein.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poesia - Efeito de Ritualística Combinação

Abriu-se imensa fenda no chão,
Ao completarmos a última frase;
Dum feitiço abissal com emoção,
Que pareceu Mal de eterna fase;
A morte havia chegado, ou quase.


Caímos enquanto paredes víamos,
Estranhamente luminosas, quentes;
Elas gritavam, mas mal as ouvíamos,
Nossas sombras eram tristes serpentes;
Éramos nada e todos os ambientes.


O chão de tal abismo era lavoso,
Porém, puro negrume de vil matiz;
Indizível em seu aspecto rochoso,
Exalava odor que hipnotizava o nariz:
Inferno! Sangue em central chafariz!


Hordas de bestiais Coisas indecifráveis,
Dançavam ao som de curioso instrumento;
Alinhadas misturavam-se com cores mutáveis,
Em labaredas de neblina ao tormento;
Espetáculo que inibe até o forte lamento.


Forte luz surgiu no amaldiçoado horizonte,
Esverdeados raios de mortuária natureza;
As criaturas saltaram todas com destreza,
Caverna a dentro, evitando tal bela fonte;
Acordamos! Com memória que não há quem conte.

Erich William von Tellerstein.