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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Poema - Cercado de Maldições



Para muito além das dunas do leste viajei,
Acabando assim por me perder, me condenei.
Avistando os pilares no horizonte, professei,
Palavras do livro dos mortos; Deuses, como errei!


Exércitos dotados de habitantes da escuridão,
Ergui das ferventes areias, caos em podridão.
Estes concederam-me entrada em seus aposentos:
Hatshepsut; Da morte e dores todos são isentos.


Nuvens de gafanhotos voavam em direção à cidade,
Conclui que minha curiosidade custou-me a piedade.
Chacais de estatura colossal emergiram dos grãos,
Dois, com olhos aterradores e unidos como irmãos.


Ao descer as escadas para a sala de sacrifícios,
Deparei-me com nove serpentes a observarem-me,
Seriamente, deviam ter saído de alguns orifícios,
Nas paredes; Estranhos hieróglifos hipnotizavam-me.


Sombras de escaravelhos gigantes no chão dançavam,
Iluminado por um truque de espelhos; Exaltavam:
Uma estátua anteposta a poças dum sangue escuro,
Que ilustrava em minha mente um ser vil e obscuro.


Avançando na abertura da direita, encontrei-me,
Cercado de imemoráveis túmulos, estes amaldiçoavam-me,
Era o que sentia, terrivelmente, perturbavam-me,
Queria correr, fugir, porém, estes petrificavam-me.


Nada fazia sentido, avistei uma imensa criatura,
O pavor dominou minha mente, que por ventura,
Encontrava-se já completamente fria e insana,
Escrevo hoje neste manicômio, de maneira profana.


Receio que ninguém nunca acreditará em mim,
No que vivenciei naquelas terras egípcias.
Mas temo ainda mais que nunca me libertem daqui,
Por este motivo: As noites são de pesadelos horríveis!

Erich William von Tellerstein.

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